Incrementando a interpretação de inimigos ou monstros também têm sentimentos

Mais uma escadaria e mais um nível da Torre do Destino, eu sou João D e nesse andar vamos ouvir as vozes daqueles que nem sempre falam “comum”. Nesse nível vamos ouvir as histórias de um bardo que coleta informações sobre monstros e nos apresentou elas no Volo’s Guide to Monsters (VGtM) um dos suplementos do Dungeons and Dragons (D&D) quinta edição (5ed). Neste nível, vamos discutir como o narrador pode melhorar a ambientação e comportamento, para não falar interpretação, dos seus monstros. Como torna-los criaturas além das rolagens. Vamos conhecer outros grupos?

Recapitulando um pouco

Volothamp Geddarm, nosso volinho

Quando começamos a falar sobre regras variantes comecei apresentando o Dungeon Master’s Guide (DMG) e algumas de suas regras que já testei e considero ótimos temperos para suas narrativas, que você pode encontrar aqui. Depois pude falar um pouco mais sobre o Xanathar’s Guide to Everything (XGtE), que também traz algumas variações interessantes de regras, até mesmo e regras já apresentadas no DMG, que você encontra aqui.

Para finalizar a tríplice de “suplementos oficiais para melhorar seu jogo”, principalmente na visão do narrador, vou falar sobre o VGtM, que é o livro que me fez começar a querer narrar D&D 5ª edição. Sim, um suplemento foi o responsável para me motivar a querer construir uma narrativa dentro do universo de fantasia medieval D&Dzístico, não os livros “principais”.

Um pouco do Volo’s Guide to Monsters

O Volos, como eu prefiro chamar, é um livro que tem como objetivo apresentar um plano de fundo com mais cor e mais complexidade para os monstros já apresentados no Monster Manual (MM). Além disso, o manual do Volo ainda traz novas criaturas dentro de tudo apresentado no próprio livro. Uma extensão mais que necessária para o MM, que traz em si uma quantidade grande de monstros para serem usados, mas acaba pecando numa melhor apresentação dessas criaturas.

Vários grupos aparecem na parte 1 do livro Monster Lore, que explana com mais abrangência todas as coisas que circundam aqueles grupos. Beholders (Observadores), Giants (Gigantes), Mind Flayers (Devoradores de mentes), e Orcs (ogros ou orcs mesmo) são exemplos desses grupos que são reapresentados. De onde vêm os Beholders? O que eles buscam e desejam? Como eles se comportam para alcançar seus objetivos? São essas as perguntas que trazem ao seu jogo uma maior tensão quando seus vilões são mais perceptíveis.

Aplicando um pouco disso tudo

Vamos então olhar para um exemplo? Eu pessoalmente gosto muito de vilões com características “humanas”. Quando estava folheando o VGtM e encontrei as Hags (Bruxas), eu me senti contemplado. As bruxas trazem em si vários aspectos humanos. Elas possuem desejo, ganância, sentem emoções fortes, são articuladoras, melindrosas, vingativas e ainda assim constroem covens, grupo de bruxas que trabalham juntos.

Covens de bruxas são o clássico exemplo de vilões que se unem por um objetivo em comum, mas ao mesmo tempo disputam internamente por poder e influência. Bruxas se tornam vilões diversos e dinâmicos rapidamente, para isso basta utilizá-los para além dos combates. E aqui está a maior qualidade do VGtM: ajudar o mestre a ambientar seus “monstros”.

Fugir do tema do combate no D&D pode ser difícil, a apresentação dos monstros e mesmo dos personagens, está cheia de números e estatísticas que podem roubar um pouco a atenção de mestre e jogadores. Utilizar seus vilões durante toda narrativa, além do combate, traz um ar de rivalidade muito interessante para toda a fluidez do jogo.

Vilões 101

Aqui vão alguns conselhos meus sobre como melhorar seus vilões. Muitas desses conselhos são apresentados de modo mais específico no VGtM.

Entrada: Use seus vilões para aparecer em momentos importantes, seja apenas de plano de fundo assistindo ou de fato sendo o motivo dos problemas que estão acontecendo, faça seus vilões serem vistos e ouvidos.

Marca: Vilões memoráveis têm características memoráveis. Faça do seu vilão além do monstro genérico já conhecido. Faça seu Orc um clérigo da guerra, ou um Beholder cego. O importante é que ele seja lembrado. Ah, se seu vilão fala, lembre de lhe dar uma frase culminante e memorável.

Moral: Um norte moral, ou uma quebra dele, traz também um vínculo do vilão com os protagonistas que pode surpreender. Ele pode não atacar criaturas indefesas, ou pensar que todos os humanos são comida e devem ser devorados. É importante lembrar que essa moralidade dos vilões não precisa em nada estar próximo a uma moralidade “humana”, muitos deles são de outras raças, até.

Sobrevivência: Poucos personagens lutariam até a morte sem motivos claros. Em situações corriqueiras mesmo que aconteça combates entre os vilões e os protagonistas lembre que seus vilões buscam estar vivos, afinal seus planos não serão cumpridos sem sua influência.

Várias outras características podem ser pensadas para trazer mais cor para seus vilões. As bruxas usam de feitiços e poderes para manipular todos à sua volta. Se escondem e se mesclam no meio da multidão e influenciam outros personagens do jogo de modo a torna-los seus peões.

Juntando tudo isso

Um exemplos simples: Imaginemos um coven de bruxas da floresta. Três bruxas da floresta que se unem para tentar derrubar um governante que está invadindo suas terras. Cada uma delas tem características de uma estação, mas nenhuma representa a primavera.

Marca: afinidade com as estações. Moral: defender seu território místico a todo custo. Sobrevivência: invisibilidade e furtividade vão irritar todos os jogadores.


Ufa, talvez tenha ficado um pouco redundante todo esse nível, mas penso que é algo que queria falar. Se está querendo construir alguns vilões interessantes, procure no Volos.

E você, já construiu vilões icônicos e memoráveis com ideias simples? Tem algum tipo de monstro que você gosta mais de trabalhar? Quais características de vilões você acha que não podem faltar em seus vilões? Comente sobre como você faz seus vilões participarem da narrativa. Vamos aproveitar o espaço para debate. Saudável e sem hates.

No geral, se você já chegou até aqui, aproveite o ganho de experiência por terminar o décimo segundo nível da Torre do Destino. Caso fique se perguntando quais monstros existem no interior da nossa torre, talvez você venha a conhecer protagonistas monstruosos. Afinal, este será nosso próximo tema, ainda dentro do VGtM.

Te espero no próximo portão.

4 Comentários

  1. Edu Guimarãessays:

    Mas péra João, se o objetivo das bruxas é proteger suas terras, o vilão aí é o Rei!

    Deu até vontade de ler D&D 5e agora, contrata ele Galápagos!

    • João Deesays:

      boa edu, o objetivo é proteger mas os métodos podem ser bem duvidosos(imagina que as bruxas comem carne humana). No fim das contas nos meus jogos todo mundo é potencial vilão hahaha

  2. Olá João D!
    Ótima postagem. É sempre bom e importante lembrar que vilões também têm sentimentos. O fato de que poucas criaturas realmente lutam até a morte que você comentou é super relevante e muito esquecido por ai. Eu diria que apenas seres sem vontade própria lutariam até serem destruídos de fato. O que leva a uma dúvida curiosa: quando o PV acaba, a criatura morre, cai inconsciente ou foge? XD

    Até and Bye…

    • João Deesays:

      Tá ai Tio, essa é uma discussão bem interessante de pensar: O que representa de fato os Pvs(ou hit points)? Quem sabe não conversamos sobre isso qualquer dia e chegamos em alguns entendimentos. Valeu pelo acréscimo.

Deixe uma resposta