Remexendo no caldeirão da Tasha ou Experimentando novos ingredientes em DnD 5e

Mais uma quinzena e mais um avanço de sala. Bem-vindes novamente a Torre do Destino, eu sou João D e guiarei vocês por este novo andar falando de coisas novas e de coisas antigas. Nada tão antigo nessa torre quanto falar de Dungeons and Dragons (DnD) mas dessa vez com um assunto novíssimo: Tasha’s Cauldron of Everything (Caldeirão da Tasha para todas as coisas). O novo suplemento da quinta edição já se encontra acessível no DnDBeyond e eu não perderia a chance de falar sobre as novas mudanças propostas pelo suplemento. Vamos adentrar a sala?

Antes do livro

Um novo suplemento era aguardado para a 5ª edição desde o ano passado quando a Wizards of the Coast voltou a testar subclasses nos Unearthed Arcanas (UAs). Se você não conhece os UAs são publicações de playtest feitas pela própria Wizards com o intuito de receber um retorno dos jogadores e mestres. Com o tempo eles geram mais material e quando o conteúdo está aprovado internamente eles publicam em algum suplemento.

Depois de uma série de livros de suplementos mais voltadas para mestres, como os cenários de theros e wildemount ou a aventura frostmaiden, finalmente temos um novo meterial focado para os jogadores. O Tashas tem uma enxurrada de material para construção de personagens, novas subclasse, métodos de adaptação de raças, novas magias, novos itens e até mesmo uma classe “nova”.

Novo mas não inédito

Aqui a primeira ressalva, nem tudo que vem apresentado pelo livro como novo de fato é novo. O artificer aparece como nova classe, mas já estava apresentada no livro cenário de Eberron. Várias subclasses novas já estavam apresentadas em livros de cenários, como o paladino da glória e o bardo do colégio da eloquência que estão no livro de Theros. No final, existe uma parcela do livro que é uma reorganização de materiais que já estavam publicados.

Ainda assim, muita coisa nova aparece, dando novos sabores dentro do caldeirão da Tasha. A liberdade em adaptar raças é algo que vem sendo discutido a um tempo em muitos lugares na internet, a DMs guild tem boas adaptações que substituem a ideia de raças para a ideia de ancestralidade, por exemplo. Nesse ponto já estava na hora da Wizards começar a repensar esses conceitos dentro do jogo.

Num livro com tanto material novo não se surpreenda com novas builds de personagens aparecendo pela internet, eu mesmo já tenho uma nova build preferida a do “escriba da tempestade”. A animação em construir novos personagens vai voltar em muitos jogadores e o livro pode servir para dar um novo fôlego ao sistema. Com Pathfinder 2 como um concorrente direto e no cenário nacional o Tormenta20 também, a 5ª edição precisava de uma retomada de ritmo.

Não vou falar nem das raças, nem das subclasses. O que acho mais importante dentro do Caldeirão está nas novas habilidades das classes.

Renovando as classes

Habilidades comuns

O livro apresenta novas opções para a maioria das classes, trazendo principalmente mais diversidade dentro das próprias classes. Três habilidades são bem comuns e recorrentes para quase todas as classes do livro: Additional Spells, Class versatility/Cantrip versatility, Fighting style. Com nomes diferentes em cada caso esse tipo de habilidade nova destrava um pouco a sensação de aprisionamento interno de cada classe. Novas magias, a opção de mudar de truques e novos estilos de luta dão aos jogadores com personagens 4º+ nível a opção de se readequar melhor depois de já ter avançado nas suas campanhas.

Recomendo colocar todas essas para dentro do seu jogo sem medo.

As melhorias esperadas

Tirando esse tipo de habilidade do pacote claramente duas classes são as que realmente adquiriram novas habilidades únicas e que mudam muito o estilo de jogo: Monks (Monges) e Rangers (Patrulheiros). No caso dos monges o ki-fuled attack incentiva os usos de habilidades chaves dos monges, como o stunning strike, além de ser uma tentativa de melhorar os monges elementais sem dar-lhes poder diretamente. Não perder a chance atacar com a ação bônus ao usar uma de suas habilidades chaves é um bom ganho para os monges. Não gosto de nenhuma outra habilidade nova de monge, são mais custosas se comparadas ao conjunto padrão dos monges, mas valem a diversificação.

Já os rangers ganharam uma atenção que nunca tiveram para além de UAs. Várias opções de reposição de habilidades, muitas que são claramente versões melhoradas das habilidades originais (sim estou falando de nature’s veil) e finalmente uma correção na subclasse dos beastmaster (mestre das feras) são claramente uma tentativa de tornar a classe mais relevante e útil no meio de um grupo de conjuradores e paladinos de lança.

Comparar o tamanho da lista de habilidades novas do ranger com as outras classes chega a ser assustador, o coitado do ladino esquecido no churrasco recebeu apenas uma. A sensação é que a classe estava com alguma coisa errada e que agora eles estão corrigindo, ou tentando. Acontece que correções nesse nível deveriam ocorrer em erratas, não em livros de suplemento. Essa melhoria do ranger é super bem-vinda para o jogo, mas a demora nessas mudanças e o modo como elas vieram são pontos bem problemáticos.

Deixe seus jogadores se divertirem com “o novo ranger”, eles merecem já que sofreram até aqui.

Mais possibilidades

Então, mais algumas habilidades que eu recomendo você acrescentar de cara dentro do seu jogo, habilidade que só tem a trazer diversificação sem alterar tanto o nível de poder ou números jogo: Primal knowledge, Bardic Versatility, Blessed Strike, Wild companion, Harness divine power, Steady aim e Metamagic option.

Por outro lado, existem algumas habilidades que eu acho podem ser perigosas de adicionar antes de se sentir confortáveis com elas, como a Instinticve Pounce do bárbaro, ou ainda habilidades que eu não entendo qual o significado delas dentro da narrativa da classe, como Magical guidance do feiticeiro (que mais me parece coisa pro feiticeiro do caos).

Concluindo por enquanto

No fim, tenho mais duas habilidades para agradecer de estarem lançadas oficialmente. A primeira é wild companion que traz de um jeito simples a possibilidade do druida finalmente ter de volta seu companheiro animal, ainda que não tão impactante. Juntando isso com a renovação no beastmaster podemos ver uma volta dos companions das classes naturais para o jogo. A segunda habilidade é eldritch versatility por nada demais além de dar aos warlocks a chance de mudar seus mystic arcanums.

Novas habilidades para as classes, que são o pilar mais central das mecânicas da 5ª edição, claramente tendem a renovar o sistema. Uma quase versão renovada do sistema, uma 5.5 como diria Leishmaniose, parece chegar entre nós. Honestamente não sei o quanto esse novo fôlego vai durar, mas ao menos ele será divertido. Estou aceitando convites de mesas para jogar de escriba da tempestade. Quem sabe não aproveito a empolgação e falo um pouco sobre novas construções possíveis de personagens com o Tashas.

E você, deu uma olhada nesse novo complemento da 5ª edição? Já mudou algumas habilidades de classe como regra da casa e que agora poderão ser oficiais? Gostou da renovação do ranger? Qual das habilidades de classe novas mais te chamou atenção? Vamos aproveitar o espaço para debate e compartilhar suas ideias.

No fim se você já chegou até aqui aproveite mais um nível de experiência na nossa Torre do Destino. Com o lançamento do Tashas minha vontade em falar de DnD deu uma renovada também. Muitos pontos internos do livro trazem boas adições ao jogo. Quem sabe o que nos espera no próximo livro. Te espero no próximo portão.

0 Comentários

  1. Luke T'Charrsays:

    Eu gosto de jogar de Monge, então estou doido pra testar as habilidades adicionais da classe, se e quando um GM permitir. Por ora, vou testar o Way of Mercy como curandeiro do grupo (e já meti o talento Curandeiro também).
    Já o Guardião, as novas possibilidades tinham minha curiosidade, agora têm minha atenção. Em algum momento vou testá-las também.

Deixe uma resposta