Raças fora do comum no D&D 5e ou Como a narrativa ganha com personagens estranho

A sala já estava ficando empoeirada sem muitos visitantes por aqui. Sejam bem-vindos de volta a nossa Torre do Destino, que tenta ser infinita mas nem sempre consegue. Eu sou João D e seguiremos na nossa escalada falando sobre assuntos diversos que passem pela minha mente e resolvam ser escritas. Após a virada de ano nosso tema mais recorrente continuará aparecendo muito por aqui. Vamos continuar explorando alguns materiais oficiais do Dungeons and Dragons o famoso D&D, que agora já tem materiais em português disponíveis também. Continuarei a falar sobre o Volo’s Guide to Monsters, dessa vez para mestres e jogadores.

Se você vem acompanhando nossa saga deve se lembrar que apresentei meu amigão Volo’s na postagem anterior que pode ser encontrada AQUI. Lá eu falava sobre construção de personagens do mestre que fossem memoráveis e empolgantes como vilões. Afinal, o principal acréscimo do Volo’s está numa explanação mais completa sobre criaturas, inimigos, suas organizações sociais, casas, religiões e motivações.  Entender sobre uma comunidade orc é um ótimo modo de acrescentar inimigos orcs mais complexos na narrativa.

Jogando com monstros

E quando os jogadores resolvem ser criaturas? Nesse caso o Volo’s continua nos ajudando em construir essas histórias. O Capítulo 2 do livro fala exatamente sobre raças novas para os personagens jogadores. Seja para aquele jogador que segue querendo ser um Orc e não um meio-orc, ou para os jogadores que cansaram das raças “básicas” do Player’s HandBook esse capítulo pode trazer um novo vigor para sua mesa de jogo que deseja experimentar novos caminhos.

Se tratando de novas raças muitas são promissoras, seja numa otimização de ficha ou numa característica narrativa interessante. Jogadores podem encontrar nos bônus do Aasimar a raça que buscavam pro seu paladino, ou encontrar na limitação de fala do Kenku um ótimo modo de se divertir e fazer algumas piadas na mesa dentro do próprio jogo.

Tudo fica ainda mais interessante quando além das raças mais amigáveis para o jogo o livro também apresenta uma sessão com raças monstruosas. A oportunidade de jogar com um personagem Orc, Bugbear, Goblin, Kobold ou outras raças típicas de “inimigos” no D&D pode ser tentadora para alguns jogadores.

Complicações únicas

Em todos esses casos é sempre bom lembrar aos jogadores qual o significado de ser um personagem de uma dessas raças para o jogo. O que essa raça representa? Qual a cultura daquele povo? Eles são criaturas místicas e escondidas ou são malvistos pelo grande grupo? Jogar com uma dessas raças pode trazer sutilezas para o jogo que vão além das características que estão descritas nas raças.

Converse com os jogadores sobre como ser um personagem daquele interfere nas dinâmicas de grupo. Sempre deixando claro como que o mundo afeta o personagem, mas também como o personagem vê o mundo, como é a relação em ambos os lados. Um Orc criado numa tribo de meio-orcs e humanos pode não se vê tão diferente assim dos outros, mas os outros podem sempre o ver como diferente.

Observação: Claro que tudo aqui dito também vale para raças que estão em outros livros, como o suplemento do Elemental evil, que apresenta aos jogadores a possibilidade de jogar com meio elementais, e livros de cenários como o Guidemaster’s Guide to Ravnica ou o Eberron: rising from the Last War, que além de trazer raças novas típicas de seus mundos redefinem o papel de cada raça em seus universos.

Um teste bem sucedido

Na minha atual experiência de campanha estou narrando uma mesa que os personagens são todos descendentes monstruosos de criaturas antigas em busca de reaver um poder que lhes foi tomado. Assim uma regra inicial da construção de personagem era: ninguém pode ser humano nem meio-elfo. A mesa toda resolveu ir além e se divertir com o conceito de “personagens-criaturas” e se colocaram todos como personagens de tamanho pequeno. Daí o grupo tem anão, halfling, goblin, gnomo e até mesmo um kobold. Como eles mesmos dizem “um grupo que entra numa cidade e é expulso por serem vilões”.

O interessante foi ver como os jogadores lidaram com a restrição de raça e tentaram construir personagens que não apenas fossem “não humanos” mas que também se afastavam de alguns conceitos de humanidade. O grupo aderiu a regra de “crescer o personagem” sendo inicialmente personagens com limitação de tamanho.

Essa experiência de construção de personagens me fez entender um pouco melhor a diversão por traz de se jogar com raças tão diferentes. A ideia de se afastar de conceitos culturais humanos e criar piadas, xingamentos e mesmo um dia a dia que difere dos que estamos acostumados pode ser muito divertido e criar um sentimento de unicidade ao grupo.

Dicas e artimanhas

Aqui então alguns conselhos pessoais ao tentar jogar ou narrar para personagens com raças além do livro básico.

Um de poucos ou de muitos: converse com seu mestre sobre quantos da sua raça existem, e se eles estão rondando o mundo também. Isso pode definir como seu personagem é recebido pelos outros no mundo, se é um evento raro ou despercebido. Um nobre pode recebe-los com eupforia ao ver um kobold astuto trabalhando com um grupo de elfos.

Diferente do padrão: Ter asas saindo das costas, braços muito largos ou uma altura imprevista pode criar um desconforto ao tentar atravessar a porta de uma taverna simples. Características únicas dos personagens podem interferir sempre em pequenos momentos, pense sempre em incluí-las e lembrar aos jogadores que o mundo não foi pensado para aquele tipo de personagem, como as garras de um tabaxi que deixa marcas sem perceber sobre os braços das cadeiras.

O destino importa: Lembre de tentar traçar também qual a ligação principal do personagem com o todo. Qual o objetivo dele? Tentar tornar esse objetivo próximo ao objetivo do grupo mas ao mesmo tempo individual pode ter como base a diferença de raça do personagem. Lembre disso ao ter um jogador tritão que busca caçar o mesmo inimigo que os jogadores, mas faz isso pensando em proteger seu povo que habita as profundezas de um mal maior.

E você, já construiu personagens de raças incomuns? Tem alguma raça preferida para seu personagens que foge do PHB? Já se imaginou jogando com um grupo inteiro de criaturas não convencionais? Comente sobre suas experiências e ideias abaixo. Vamos aproveitar o espaço para debate e compartilhar. Sempre mantendo um espaço saudável e sem hates.

No fim se você já chegou até aqui aproveite mais um nível de experiência na nossa Torre do Destino. Prometo manter uma constância melhor nas postagens esse ano, não vou faze-los esperar tanto. No próximo nisso o VGtM ainda será nosso lugar de análise mas dessa vez com um problema bem mais numérico: o CR. Te espero no próximo portão.

2 Comentários

  1. Jaum eu sempre quis jogar com um Mind Flayer, como seria hein? Abraços.

    • João Deesays:

      Grande Lima, pensando como raça teriam duas opções em caso de regras. A primeira é utilizar alguma adaptação de Ilithids para personagem jogadores, honestamente não conheço nada oficial e quase nada no DM’s Guild (site da wizards para compartilhar home brew), de todo jeito encontrei esse link. Agora a segunda opção me parece mais segura, utilizar a raça Gith que está no Mordenkai Tome of Foes na página 96. A ideia de jogar com um personagem guerreiro com poderes psiônicos funciona bem com os Giths e eles na verdade são uma raça que foram escravizada por Mind Flayers. Vou procurar mais por que também fiquei curioso com a ideia, se encontrar algo eu atualizo rapidinho aqui. Abração

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