Papo com o Lima: Josie Fonseca

Olá, Eu sou o Lima, Raphael Lima.

Saudações 2d20 leitores desta coluna inquieta, conhecida na comunidade como a Caixa do Lima. Nos últimos episódios deste espaço temos dialogado sobre o Crianças Enxeridas, Dungeons & Dragons (enquanto escrevo estas palavras, estou indeciso entre começar a minha campanha de drows ou Tomb of Annihillation, que dúvida cruel) e começamos nossa série de entrevistas com uma viagem (virtual, claro) até Porto Alegre, para bater um papo com Tiago Junges. E após o nosso primeiro encontro, vamos sair de POA com destino a Floripa para conversar com a streaming Josie Fonseca do Vertente Geek.

Conheci a Josie em janeiro de 2020, nos preparativos para a mesa de Crianças Enxeridas que rolou no Vertente Geek, na qual ela narrou a aventura O Resgate do Gato Amarelo, que está disponível no canal do youtube do Vertente. E no segundo encontro do Papo com o Lima, vamos conversar com a Josie e conhecer um pouco mais da sua história com o RPG, o Vertente Geek e alguns bastidores e dicas para quem tem interesse de fazer streamings.

Papo com o Lima: Josie Fonseca

Quem é você?

Eu sou a Josie Fonseca, sou do Rio de Janeiro, mas hoje estou morando em Florianópolis. Junto com meu marido, tocamos o canal vertente geek, produzindo conteúdo geek. Principalmente RPG de mesa. Eu acho que contei essa história inúmeras vezes *risos* mas basicamente descobri o RPG em bancas de jornal e depois na adolescência, jogando com amigos do bairro. Até eu começar a mestrar para minhas amigas da escola, acho que eu era a única menina jogando por muito tempo.

Como você define o RPG?

Definir RPG pra mim é como explicar o amor, vida, a própria existência. É algo muito importante que dedico muito tempo e energia, mas que ainda é só mais uma coisa. Não sei como seria sem o RPG. Só consigo pensar que a Josie que todos conhecem é resultado de vários fatores, e um deles são essas inúmeras horas jogando RPG.

Não me lembro muito bem a motivação. Isso porque aos 17 anos já escrevia em um blog os resumos das aventuras semanais da minha mesa de D&D 3e. Aos 20 já estava narrando em eventos e encontros no interior do Rio. E nada disso foi buscando ser criadora de conteúdo. Aconteceu. Quando vi já estava assim. Não foi nada consciente.

Numa sessão de RPG, o que é mais importante, imersão ou diversão? Ou ambos?

Tanto faz. O importante é saber o que o grupo quer de forma coletiva. Como tenho formação na área (sou formada em licenciatura) uso muitas estratégias para ajudar os jogadores que querem porém tem mais dificuldade na interpretação. Mas nada disso garante a diversão. O que o mestre pode fazer é perguntar aos jogadores no pós jogo o que eles mais gostaram e entender isso. Mas como jogadora, sempre estou disposta a me divertir com o que está rolando. Em nossa mesa de Monarchies of Mau nos divertimos em full imersão, em Dungeons & Dragons quebramos a quarta parede o tempo todo com piadas teor político. Não tem como o narrador saber o que é divertido, ele pode só tentar fazer o seu melhor.

Conta para nós, o que é o Vertente Geek?

Eu realmente não estava no começo, estou a uns três anos à frente da produção de conteúdo junto com o Ícaro, que é fundador junto com o Roxo, do Dragão do Espaço. E a ideia sempre foi produzir conteúdo que gostamos, que fala muito sobre o que é a nossa visão de geek e nosso cotidiano.

Qual o mínimo necessário para se fazer um streaming de qualidade?

Internet. Internet com um bom upload e o mais estável possível. O restante é muito pessoal. E sobre técnicas de narrativa, acho que sou a pior pessoa para isso, pois passo longe de saber o que estou fazendo.

Cite três sistemas de regras que você considera leitura indispensável e o motivo de serem indispensáveis.

Tudo é dispensável. Mas para quem quiser saber meus “atuais” favoritos, são Dungeons & Dragons 5e; Legacy 2e e Fiasco. Eu AMO Fiasco. Indico esses por serem conjuntos de regras diferenciados de tudo que estamos acostumados. Não acho que tenho bagagem em game design para responder quais os pecados dos sistemas. Pessoalmente tenho muita preguiça de jogos que parecem muito D&D.

A dinâmica do streaming é diferente do jogo presencial?

Todas as mesas possuem dinâmicas diferentes. Mas quando narramos não só para nossos cinco amigos que estão jogando, algumas coisas sempre são levadas em consideração. Como os jogadores passivos, que no caso é o chat. Em algumas mesas levamos isso em consideração e bolamos mecânicas para eles participarem. Outras, só deixamos acontecer naturalmente. Acho que depois da pandemia, vai realmente ser sensacional poder jogar uma mesa presencial com meus amigos, estou com saudade mais de reunir todo mundo em casa do que realmente do RPG em si.

Existem sistemas que são mais adequados à dinâmica do streaming?

Com um pouco de dedicação, não existe essa coisa de não dá para fazer. Cabe ao criador de conteúdo dar seus pulos e resolver. Em Cyberpunk 2020, colocamos o pessoal que estava assistindo para ser a “internet” dos jogadores, e quando usavam um comando conseguiam digitar e enviar para aparecer na stream. Isso demandou horas de programação e um overlay “papel de parede da stream”. Usamos isso uma única vez, Cyberpunk 2020 me dava muito trabalho, eram horas de preparação. E de jogo mesmo foram no total 5 horas. Queríamos muito e corremos atrás disso.

O dia 21/04/2020 foi especial para os canais de streamings brasileiros; com vários jogos rolando em ótimos canais, e o Vertente Geek teve uma enorme audiência com a mesa de Vampiro 5ª Edição: A Esfinge de Shelley.

Nossas estreias sempre vão muito bem, principalmente com sistemas populares como Vampiro. Mas não podemos deixar de agradecer sempre o apoio da Twitch e dos demais influenciadores que participam da mesa. Nossa maior audiência sem dúvida foram as com Dungeons & Dragons, a trilogia de Carta para o assassino. Inclusive a terceira temporada que contou com Henry, Clarice e Pato Papão. Mas no caso de vampiro, só descobri depois que acabou, me diverti muito e o Mestre Xis é um dos melhores narradores que tive a honra de jogar. Além da equipe de peso comigo, Sérgio, Lucas e Amedyr.

Quais são os planos de Josie Fonseca e o Vertente Geek para os próximos anos?

Continuar produzindo conteúdo. E podendo viver disso. Acho que o maior sonho de todo criador é poder viver desse conteúdo, e temos essa sorte. Para segundo semestre de 2020 ainda tem muita novidade, a volta do Cthulhu com a segunda temporada e a mesa de Tormenta são as mais aguardadas.

Como você vê a comunidade brasileira de RPG hoje?

O engajamento da comunidade é invejável. Quantos projetos de financiamento coletivo foram um sucesso? Nossa, inúmeros no ano passado. E mesmo com crise e pandemia, ainda existe muito apoio vindo dos jogadores para nós criadores. Não só financeiro como de carinho e apoio. Como em qualquer outra bolha, a minha é quentinha e cheia de pessoas maravilhosas. Claro que temos nossas pedras no sapato, mas amo nossa comunidade.

Deixe uma mensagem para o pessoal que está querendo começar a streamar.

Coloca em prática. E não esqueça de seguir as regras de convivência, não marque canais grandes pedindo RT e não divulgue no chat dos outros. O importante é o boca a boca da divulgação, e se você estiver se divertindo, certeza que todo mundo vai ficar sabendo dele. Mas só tem como saber se você colocar em prática.

 

Conclusão

Esse foi nosso segundo Papo com o Lima, onde recebemos a Josie Fonseca do Vertente Geek aqui no nosso espaço de debates, e não deixem de acompanhar a Josie e o Vertente Geek no Twitch, youtube e demais redes sociais e acompanhem as mesas de de RPG são maravilhosas e muito divertidas. E aproveitando o ensejo, passa lá no youtube do Vertente para assistir à sessão de O Resgate do Gato Amarelo e depois baixar o Crianças Enxeridas no Dungeonist.

E a Cozinha do Lima já está se organizando aos poucos no Discord e no Twitch, e em breve começaremos com as produções de conteúdo, já tivemos uma sessão teste da minicampanha de Avatar: a Lenda de Aang para o Fate Acelerado, que vocês podem conferir.

Até Breve!

😉

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