O Papel do “Mestre do Jogo”

Olá Aventureiros!

Eu sou o DM Quiral e esse é nosso mais novo espaço de experimentações: o Laboratório do Alquimista, no Mundos Colidem. Faço parte de um grupo de amigos que se juntou para uma grande Festa dos Mestres, há pouco mais de um ano. Tivemos um encontro aleatório nessa grande campanha que jogamos, que é a campanha da vida real, e resolvemos nos manter juntos em um grupo chamado: DM’s Party, composta atualmente por mim, pelo Eduardo Vieira e pelo Rodrigo de Mattos. Dentro dessa história emergente acabamos colidindo nosso mundo aqui (no Mundos Colidem), e estamos fazendo a nossa estreia com este artigo, com o foco em um assunto que espero poder lhe ajudar um pouco dentro desse hobby que amamos.

O nosso maior objetivo é trocar XP, vamos trazer assuntos sobre o RPG em geral e instigar o debate ! Como “vento que venta lá, venta cá”, certamente vamos coletar XP nesse processo. Neste primeiro episódio falaremos do Papel do Mestre do Jogo!

O PAPEL DO “MESTRE DO JOGO”

No RPG, tradicionalmente um jogador ocupa uma função no jogo diferente dos demais. Nas raízes do hobby, antes mesmo da publicação do D&D0e em 1974, essa função era chamado de referee, que significa um “juiz”. Isto está registrado nos livros do D&D original, como pode ser observado nessa imagem:

Com o tempo, o jogador que atua nessa função começou a ser chamado no D&D de Dungeon Master, e cada RPG começou a criar um cunho diferente para essa função em seu jogo. O termo mais genérico é Game Master (GM), que significa mestre do jogo, mas existe uma infinidade de termos diferentes, como nos jogos da White Wolf, com o famoso Storyteller (narrador), ou no One Ring, que é chamado de Loremaster (mestre do conhecimento). No DCC-RPG é judge (juíz).

Mas qual é, na prática, a função que o jogador que vai assumir esse papel deve exercer?

No Dungeon Master Guide do D&D5e está registrado os principais pontos do desing moderno para essa função, são elementos considerados relevantes, e reporto aqui:

1. Arquiteto: Planejamento de campanhas do macro ao micro (ou do micro ao macro), com a criação e conexão de aventuras, seus desafios e amarrando tudo de forma lógica em uma história maior.

2. Narrador: Nesse aspecto, o DM vai assumir o papel narrativo de tudo que não está sob o controle dos jogadores, como o tempo ou o dia-a-dia de um vilarejo. Nesse momento ele é um narrador dos eventos.

3. Ator: Nesse papel o DM vai interpretar ou representar as criaturas ou NPCs da campanha.

4. Juiz: Nesse papel o DM precisa fazer julgamentos sobre as regras do jogo. Quando deve segui-las e quando deve modificá-las.

Eu percebo um ponto perigoso nesses aspectos. Apesar de não estar claramente explícito, pode acontecer de o DM receber uma carga exagerada de responsabilidade por diversão de todos na mesa. O DM como etretainer (animador) é um perigo e pode afastar pessoas de quererem assumir esse papel no jogo. A responsabilidade por diversão é de todos, pois RPG é um evento social. Todos esses elementos pautados no DMG atual facilmente podem ser distorcidos para uma interpretação (talvez não intencional) de que:

“1. criar grandes plots de jogo geniais ou ler e amarrar o background de 20 páginas de cada PJ de forma intrigante são responsabilidade do DM.

2. Narrar de forma emocionante, trazer sons ambiente, músicas, colocar imagens instigantes, jogo a luz de velas… tudo isso é responsabilidade do DM.

3. Fazer vozes diferentes, mostrar emoção nas falas.

4. Fazer o famoso “fudge” (resultados falsos de dados) em nome da história! Pois “as regras não importam, o que importa é a diversão!”

Obviamente isso que não está descrito no DMG5e, mas há um possível risco de análise que pode caminhar a cobrança para esse lado. A diversidade de problemas que podem ser gerados com efeitos dominós desse tipo de distorção pode ser imensa.

Convido você a fazer uma reflexão sobre o termo original: referee, ou em português: juiz. Esse elemento é bem interessante, pois ele reforça um ponto que tenho refletido bastante sobre a função deste jogador no jogo. A parte mais sólida que envolve esta função está relacionada com a proposta de desafios e julgamento justo de situações.

Vai haver um momento em que o DM terá de interpretar um antagonista do jogo, e isso precisa ser feito da melhor forma possível. Mas ao longo do jogo também será interpretado um aliado, ou alguém indiferente. Em outros irá narrar um cenário, um dia chuvoso, uma viagem pelo pântano… Esta narrativa é compartilhada, e todos estão juntos construindo-a de forma emergente. Isto não significa que não vão existir desafios, pode acontecer de que num desses desafios os personagens falhe, talvez um deles se vá. Acontece, isso é do jogo. O “bom mestre” e o “bom jogador” compreendem isso bem, e sabem que todos estão alinhados construindo algo que vai nascer ali, na mesa de jogo, e isso é o mais importante.

Este é o primeiro assunto que resolvi trazer aqui, pois eu acredito que um dos maiores gargalos que temos dentro do hobby é o receio de ser um Dungeon Master, pela possível carga de responsabilidade indevida. Espero que mais pessoas busquem a experiência de jogarem como DM, que é extremamente prazeroso, um XP que você não pode deixar passar!

Caso queira acompanhar mais deste tipo de conteúdo que, segue aqui minha árvore de links.

XP indicado:

Em adicional, deixo aqui uma lista de conteúdo complementar:

1. Vídeo “O papel do DM”, link aqui.

2. Vídeo “O efeito Mercer”, link aqui.

3. Vídeo “Manipular resultados dos dados… É legal?”,link aqui.

4. Vídeo “A sessão zero”, link aqui.

5. Vídeo “O ogro quântico”, link aqui.

6. Vídeo “O papel do jogador”, link aqui.

E lembre-se:

Tudo é XP!

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