Não é nostalgia!

Olá Aventureir@s!
Eu sou o DM Quiral, e este é nosso espaço de experimentos, o Laboratório do Alquimista no Mundos Colidem. Neste capítulo eu vos convido à uma reflexão curiosa… Afinal, jogar os D&Ds clássicos e o movimento é apenas fruto de nostalgia?

1. O que é nostalgia?

Você já se viu degustando aquela memória de brincadeiras da infância? Algumas, no meu caso, deliciosamente me recolocam na rua, jogando o famoso tamp cross (corrida de tampinhas), ou jogo de Bets, ou o futebol de rua, com o gol marcado por chinelos…

 

 

 

 

 

Outro elemento forte que me ativa uma lembrança boa da infância, são os fliperamas como o do Street Fighter ou jogos como Pinball… quantas horas já investimos nesses jogos? Não faço a mínima ideia… muitas vezes troquei o dinheiro do lanche por mais uma partida.

 

 

 

 

 

Hoje, mais velho e amadurecido, me vejo navegando nessas lembranças com uma saborosa nostalgia…

Quando avanço alguns anos nessa viagem, chego ao momento em que iniciei no meu hobby favorito, “o tal do RPG”.

Foi ali, no início dos anos 1990s, quando um amigo nos apresentou esse jogo. Diferente dos livros e filmes de fantasia que conhecíamos na época, como: “Willow – na terra da magia”, ou um dos meus favoritos: a animaação “Caverna do Dragão”, esse tipo de jogo era mais emocionante que os livros-jogos que eu jogava… era uma proposta de jogo que eu jamais havia vivenciado ou imaginado: “o tal do RPG”, com o jogo Dungeon & Dragons Rules Cyclopedia.

2. Lembranças idealizadas.

Muito tempo se passou desde então, a partir dessa porta aberta, acabei por conhecer diversos outros sistemas de RPG, como GURPS, Vampiro, Desafio dos Bandeirantes, AD&D2e, MERP, Shadowrun… quase três décadas se passaram, e esse “tal do RPG”, que foi lançado oficialmente em 1974, já tem hoje seus 45 anos de vida. Muito XP já foi ganho desde então.

Mas para não desviar muito o foco dessa conversa… voltemos às lembranças. Quando eu reflito sobre essas memórias, costumo lembrar com gosto dos momentos idealizados do tamp cross, mas é comum a memória nos poupar das horas que demoramos para montar a pista, do grupo de pessoas ao lado que jogam a bola em cima de sua pista semi-montada, e da briga que isso pode gerar… do dedo machucado após horas “petelecando uma tampinha”… esse artifício que nossa memória faz tem um nome: Nostalgia.

 

 

 

 

 

 

De uma forma geral, é essa lembrança idealizada, dos melhores momentos, um filtro natural que nossa mente é capaz de fazer, ao longo dos anos, refinando de forma elegante essas lembranças. É claro que o momento era bom, mas se não tivermos a consciência do que é, de fato, a nostalgia, podemos nos ver presos às memórias idealizas… tipo o espelho de Ojesed, lembram?

 

3. O resgate da experiência:

Eu não posso negar, que essas memórias as vezes são tentadoras, e foi mais ou menos por isso que eu refletia, como amante do hobby, propostas de jogo que pudessem resgatar bem essa experiência. Já fiz diversas adaptações do D&D5e nessa busca, eu já falei um pouco disso em outro texto aqui, nas minhas malucas experimentações parar tornar o D&D5e mais old school, segue o link: https://www.mundoscolidem.com.br/old-school-dd5e/

 

Mais recentemente, resolvi experimentar o DCC-RPG, por vários atrativos, cito aqui alguns (não exatamente na ordem):

  1. Um sistema simples e eficiente, que permite ao DM arbitrar rápido sobre uma regra;
  2. Um sistema com letalidade alta (o que força os jogadores a serem mais engenhosos);
  3. O melhor sistema de magia que conheci até hoje;
  4. Feito extraordinário (uma mecânica de guerreiro sensacional!)
  5. “Dados estranhos” (com uma mecânica bem elegante);
  6. Arte incrível;
  7. Sorte (uma mecânica viva o tempo todo no jogo);

Enfim, fiz um vídeo sobre minhas primeiras impressões na época em que fui experimentar o sistema:

4. NÃO É NOSTALGIA!

Hoje, ao refletir melhor sobre tudo isso, eu percebo que o resgate do estilo D&D old school, que remete aos sistemas de RPG normalmente dos anos 1970s e 1980s, ou os jogos modernos que buscam esse tipo de estilo de jogo, não podem ser considerados apenas um espaço de nostalgia. Não significa, obviamente, que a nostalgia seja algo ruim, mas não é essa a principal força da OSR (Old School Renaissance). De fato, a partir dos anos 1990 e 2000, apesar de diversos novos sistemas de RPG terem surgido, nenhum deles ocupou esse espaço deixado pelos RPGs antigos. O próprio D&D buscou sua modernidade, e se diferenciou bastante (principalmente sua versão 3.X e 4e). Ficou então um certo “vazio” para esse estilo de jogo, e assim nasceu a OSR, que consiste em jogos de RPG que proporcionam o modo old school de se jogar RPG.

Eu falei um pouco mais sobre isso nesse vídeo que postei recentemente:

Após uma reflexão, é cristalino para mim que a OSR não é uma forma de idealização de uma lembrança, portanto jamais pode ser caracterizada apenas como nostalgia. É claro que em alguns casos, como no meu, a nostalgia pode ser um atrativo adicional, mas o estilo de jogo é sólido, bem embasado em parâmetros de desing elegantes e funcionais, e com uma grande quantidade de público. Um importante ponto que ajuda a sustentar isso são os muitos jogadores novatos (como pude presenciar na nossa mesa de RPG) que se interessam e abraçam a OSR sem nunca terem vivido ou jogado os D&Ds clássicos.

Poro fim, a minha intenção aqui é SEMPRE trocar XP, sintam-se à vontade para deixarem em seus comentários sua opinião sobre isso, seu XP. Aqui ou nos comentários dos vídeos.

Até a próxima, e lembre-se: TUDO É XP.

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