Mistérios da Superlua

Olá leitoras e leitores!

Meu nome é Rosamante e nesta semana nós daremos uma pequena pausa na exploração dos horrores cósmicos do jogo de Mago: o Despertar.

Ao invés disso, leitor, minha proposta para você é que da mesma forma que você me permitiu ser o seu guia na nossa descida ao Submundo, eu quero te guiar num Jogo de Mistérios; uma caçada esotérica para encontrar e compreender os Mistérios que estão ao nosso lado, muito embora estejamos cegos para eles.

Nós revisitaremos o ano de 2016, no mês de novembro na capital potiguar, numa noite em que a lua esteve no ponto mais próximo da terra desde o ano de 1948. Esse fenômeno ficou conhecido como a Noite da Superlua.

Um evento com tamanha relevância simbólica e metafísica não poderia deixar de impactar a comunidade sobrenatural local, e os Magos potiguares não foram exceção. A Superlua iluminou com a sua luz pálida a existência de dezenas de Mistérios ocultos na cidade de Natal.

Minha proposta hoje, leitor, é guiar você enquanto exploramos alguns destes Mistérios e te explicar a importância deles para os Despertos e a Guerra Secreta que eles lutam entre si para conquistar estes Mistérios.

Você talvez esteja se perguntando o que exatamente é um Mistério e qual é a relevância disso, ao ponto de que Magos estão dispostos a matar e a morrer para compreendê-los.

Para que eu possa te explicar isso, então continue me acompanhando neste labirinto de símbolos e feiticeiros obcecados.

Mistérios

Falando de forma simples e objetiva, segundo a própria definição do livro de Mago, “qualquer quebra-cabeça, qualquer feitiço persistente, ou qualquer outro enigma sobrenatural é um Mistério em potencial”.

Deste conceito podemos extrair que Mistérios são fenômenos sobrenaturais que não são imediatamente compreensíveis para aqueles que conseguem percebê-lo.

Mistérios podem surgir espontaneamente como por exemplo, uma rua feita de brilhantes que só aparece à meia-noite numa cidade; sonhos recorrentes e gradativamente mais intensos numa vizinhança, ou ainda, uma rosa vermelha crescendo num terreno baldio, que sussurra segredos para aqueles que param ara admirar suas pétalas.

Eles também podem ser resultado da magia praticada pelos próprios Magos, como feitiços e Nimbos, ou ainda, da magia mais estranha praticada por outros seres sobrenaturais, como as Cerimônias de Devoradores de Pecado, Promessas de Changelings ou a feitiçaria de sangue dos Vampiros.

O que todos estes Mistérios tem em comum é a sua relação com as Dimensões Supernas, o plano de realidade de onde supostamente advém toda a magia no universo, e que embora existam sobrepostas ao sobreposto ao nosso Mundo Decaído, permanecem escondidas de nossos sentidos pela Mentira.

Os Mistérios são o que acontece quando Símbolos que formam as Dimensões Supernas interagem entre si e criam uma Verdade, que se manifesta no Mundo Decaído. Se as Dimensões Supernas são o código de programação do universo, os Mistérios são os programas construídos com este código, executando funções a partir do potencial do código-fonte.

Embora ainda permaneçam cobertos pelo véu da Quiescência, Mistérios são fenômenos sobrenaturais que conseguem se manifestar de um jeito ou de outro no Mundo Decaído. Apesar de serem ignorados ou negados por Adormecidos, Mistérios são percebidos por Magos e seus sentidos supernos, e também por outras criaturas sobrenaturais com poderes que ampliam sua percepção do mundo.

Ao contrário destas demais criaturas que na maioria das vezes apenas se deparam por acaso com esses Mistérios, Magos possuem um uma particular obsessão com a sua busca e compreensão .

Despertos não apenas buscam expressamente por Mistérios, eles também são consumidos por uma obsessão insaciável de compreender por completo qual é a Verdade sendo expressa através deles. Muitas vezes Magos se colocam em riscos imensos para estudar e entender como um Mistério funciona, e muitas vezes, é o próprio objeto do estudo que clama a vida de um Mago inconsequente.

A razão para isso é que compreender um Mistério não é apenas uma mera curiosidade para um Mago. Cada Mistério que um Desperto desvenda revela uma verdade, e esta é associada à Gnose do Mago.

A própria Gnose de um Mago é uma Verdade Superna que se expressa por meio da mera existência do Desperto, e se torna mais sofisticada, mais completa e mais poderosa a cada Mistério desvendado.

Para um Mago, desvendar Mistérios e desenvolver sua Gnose significa manipular maiores quantidades de Mana, acessar níveis mais avançados de um Arcano, ser capaz de lançar feitiços cada vez mais poderosos e ter uma compreensão mais completa das Dimensões Supernas

Conhecer Mistérios se traduz em poder literal para Magos, e por esta razão, eles estão dispostos a matar, morrer e competir entre si para conquistá-los, e não poderia ser diferente com a comunidade Desperta de Natal.

 

A Noite da Superlua

Em novembro de 2016, a lua atingiu o seu perigeu em relação a terra, estando literalmente na sua posição mais próxima do planeta desde o ano de 1948, parecendo maior e mais brilhante que normalmente para nós.

Para cidadãos e turistas de Natal, esta noite foi um evento marcante que todos queriam participar de alguma forma. Famílias se reuniram nas casas uns dos outros, festas foram organizadas sob a luz do luar, grupos de amigos se juntaram e foram às praias em busca de uma visão privilegiada.

Foi uma noite agitada, com muitas pessoas nas ruas à noite, e naturalmente, tamanha agitação atrai a atenção das criaturas que se escondem nas sombras. No entanto, enquanto a maioria das criaturas sobrenaturais natalenses estavam aproveitando a oportunidade que a Superlua havia as proporcionado, Magos estavam correndo contra o tempo.

O brilho da Superlua havia revelado Mistérios específicos que nunca haviam sido percebidos antes pelos Magos potiguares, e uma vez que sua luz se fosse com o raiar do dia, os Mistérios voltariam aos seus véus de ocultação.

Claro, assim que os Despertos compreendessem por qual motivo esse fenômeno astronômico surtia este efeito nos Mistérios, eles poderiam tentar replicá-lo com magia. O problema é que enquanto estivessem tentando entender o Mistério da Superlua e criar um feitiço replicando seus efeitos, seus rivais e inimigos estariam nas ruas, procurando pelos Mistérios revelados pelo brilho lunar, estudando-os, levando-os consigo. Ou pior, destruindo-os caso o transporte não fosse possível.

Mesmo dentro de uma mesma seita de Magos, existem grandes rivalidades. As Ordens que as formam a seita do Pentáculo possuem opiniões distintas a respeito do que se fazer com cada Mistério e de que forma proceder com a sua investigação, e o mesmo se aplica aos Ministérios dos Profetas, que podem interpretar comandos distintos da parte dos seus tiranos a partir de um mesmo Mistério.

Diante disso, a noite da Superlua foi mais que um mero fenômeno localizado para Magos potiguares, foi uma corrida literal para o poder, resultando em competições acirradas e perigosas, sabotagens, armadilhas e confrontos que clamaram a vida de diversos Despertos naquela noite, e a maioria das pessoas sequer desconfiou destes acontecimentos.

Bom, como você sabe leitor, eu sou um Devorador de Pecados, não um Mago, teoricamente eu tampouco posso ver o que aqueles Despertos viram aquela noite, mas para a nossa sorte, eu conheço uma Assombração chamada Memória que me permite capturar memórias de eventos traumáticos, e experimentá-las como se estivesse lá e armazená-los em recipientes.

Eu encontrei os fantasmas de dois Magos que morreram na Noite da Superlua e eles me disseram onde a morte deles aconteceu. Eu me certifiquei de ir em cada um dos locais, armazenar as memórias das suas duas mortes nestas garrafas, que eu e você iremos beber hoje para compreender como Magos desvendam seus mistérios e quais foram os negócios inacabados que essas pobres sombras deixaram para trás.

Mistério de Morte – A Sombra que Andava

Após servir um drink “Morte à Tarde” misturando absinto com champagne, eu abro a garrafa de vidro negro contendo a primeira memória, derramando o Plasma dentro da garrafa nos nossos copos como uma finalização. Nós brindamos e bebemos.

A sala confortável que nós estávamos sentados começa a mudar, a medida que destrancamos a Memória e o Plasma começa a moldar o ambiente ao nosso redor para a memória da morte.

Estamos agora num dos setores da UFRN facilmente reconhecível pelas estruturas de pedra, iluminação amarelada e corredores centrais dando acesso a blocos de aula nas laterais. É tarde, os corredores estão vazios, não há estudantes nem funcionários nos corredores, apenas seguranças.

Uma mulher jovem, de cabelos castanhos, roupas sóbrias e olhos azuis se forma do Plasma, andando cautelosamente pelos corredores vazios, claramente tomando cuidado para não ser vista pelos seguranças. Ela segue pelo corredor central até o final do setor I, se deparando com uma rampa que dá acesso ao segundo andar de um bloco de aulas, bloqueado por uma grade.

A mulher toca no cadeado, sussurra um encantamento e ele se destranca. Ela puxa a grade com cuidado para não fazer barulho e sobe a rampa para o segundo andar, vazio, escuro iluminado apenas pela luz da lua.

A mulher olha para a parede, onde pode se ver no fim do corredor, contra a luz do luar da Superlua, uma sombra achatada contra a parede, de formato humano, muito embora não houvesse ninguém ali para formar aquela sombra.

A sombra anda sozinha, pelas paredes, cabisbaixa mas autônoma, sem nenhum corpo com massa para ditar seus movimentos. Ao perceber que a mulher a observava, a Sombra moveu-se pela parede e adentrou numa sala fechada pelas frestas entre a porta e a parede. A Necromante seguiu atrás.

A Sombra que anda é um dos Mistérios mais discretos no Setor I da UFRN, aparecendo apenas quando não há ninguém mais por perto e todas as luzes estão apagadas, se tornando indistinguível da escuridão nas paredes, teto e chão do setor.

Magos que por acaso andem pelo Setor tarde da noite podem ter a oportunidade de sentir sua presença, mas em regra, a Sombra é ignorada pois ela percebe quando feiticeiros a observam, e sabe que se ela ficar perfeitamente imóvel sem invocar os seus poderes, a chance de um Mago encontrá-la é extremamente baixa.

Ela possui um comportamento ambíguo em relação aos humanos que frequentam o Setor I. Na maior parte do tempo, ela está satisfeita em apenas observá-los e ouvir seus segredos e as aulas, com ocasionais travessuras em que ela manipula as sombras do local para mover e esconder objetos e expor os segredos que ela escuta, mas nada mais agressivo com isso.

Sua atitude muda consideravelmente ao perceber que está sendo observada, ativando algum mecanismo primitivo de fuga da Sombra, o que geralmente é uma tarefa com extrema facilidade, sendo muito raro que alguém consiga a acompanhar. Ninguém sabe do que ela seria capaz caso fosse de fato encurralada.

A Noite da Superlua mudou esta dinâmica, inundando até mesmo a mais impenetrável sombra com uma pálida e delicada luz prateada, removendo as coberturas que a Sombra utilizava diariamente para se mover através do Setor I, fazendo-a buscar refúgio num dos locais mais isolados do bloco de aulas, o que não a impediu de ser descoberta por uma Maga metida.

Se um Mago conseguisse utilizasse seus sentidos supernos focados de alguma forma para analisar o Mistério da Sombra que Andava, ele obteria as seguintes informações:

A Sombra que Andava

Opacidade Básica: 3

Arcano Primário: Morte

Mistério Não é resultado de magia Superna +1

Opacidade Total: 4

INFORMAÇÕES SUPERFICIAIS

  • O Mistério não é resultado de Magia Superna

  • O Mistério recai sob o domínio do Arcano de Morte

  • O Mistério possui alguns meses de existência

  • O Mistério exala uma Ressonância de Morte, Egoísmo, Segredos e Transgressão

  • O Mistério pode ser interpretado como a Prática de Padronizar

INFORMAÇÕES PROFUNDAS

  • A Sombra que anda é uma alma que violou o ciclo natural de morte de uma pessoa, em que a alma segue adiante para o que quer que seja seu destino, e um fantasma nasce dos fragmentos de memória, personalidade e emoção das pessoa que morreu. Esta alma não apenas deixou de seguir adiante como desenvolveu autonomia e vontades próprias, sendo capaz de agir, interpretar o mundo e elaborar planos.

  • A ressonância de Sombras possui uma nuance sutil, no sentido que não se refere a literalmente sombras como a obscuridade criada pelo bloqueio da luz por um corpo opaco. Na verdade a ressonância de Sombra é vampírica, sendo possível perceber que se trata de um tipo específico de vampirismo relacionado a sombras. (Informação trancada. Mago deve concordar em ganhar a Condição de Drenado para prosseguir)

  • A pessoa a quem quer que pertencesse esta alma possuía um grande acúmulo desta ressonância vampírica e sombria em seu Padrão, como se houvesse servido de alimento diversas vezes para um mesmo vampiro que carregava esta ressonância. O acúmulo desta pequena parcela da maldição vampírica aos poucos foi pesando na sua alma, nutrindo algo novo em seu interior, e quando esta pessoa morreu, o egoísmo e necessidade do vampirismo clamou a sua alma, transformando-a não num predador de sangue, mas sim num predador de segredos. (Informação trancada. Mago deve concordar em ganhar a Condição de Segredo Vergonhoso para prosseguir)

A Necromante não consegue abrir a porta mesmo com magia, a Sombra deve ter bloqueado-a pelo outro lado. Ela gesticula com as mãos e com um feitiço reduz a porta a pó.

A luz da super lua ilumina a sala, e ela pode ver a Sombra, encurralada em seu interior, conjurando tentáculos tenebrosos e mãos esguias com dedos afiados, sombras animadas estendendo-se pelas paredes, chão e teto, e movendo-se na direção dela.

Aquelas sombras tinham força o suficiente para manter a porta fechada, poderiam feri-la se a tocassem. A Necromante então conjurou outro feitiço com um gesto de soberania, e comandou as sombras para que se imobilizassem e a permitissem estudar a entidade que as animava.

Ela estudou com sua visão superna focada, o Mistério da Sombra que Andava. Trazendo as Dimensões Supernas para perto de si, ela pôde ver as almas de Estígia pairando serenamente além da janela da sala, em campos verdes adornados pelos vestígios de civilizações arruinadas. Aquele alma tenebrosa, contudo, não brilhava com o cintilar diamantino das outras, algo egoísta e faminto sufocava o seu brilho, e o substituía com sombras.

Ela voltou seu olhar então para esta escuridão que sussurrava segredos, e a medida que ela mergulhava, ela sentia o sangue se esvaindo do seu corpo, em êxtase e fraqueza ao mesmo tempo. Um predador a observava em meio às sombras, e então, ela percebeu que aquelas sombras, eram vampíricas e não literais.

Mas ela não havia vindo até ali para desistir. A Necromante encarou o predador sombrio, olhos nos olhos. Foi bem a tempo de vê-lo pular da silhueta da Sombra e na sua direção, uma quimera de corpos, objetos e escuridão. Ela caiu de joelhos, suas roupas e sua pele arrancada, ela era apenas um esqueleto exposto, e então, ela soube que aquele predador se alimentava de segredos.

A Sombra estava imobilizada, mas começou a falar todos os seus segredos mais vergonhosos e humilhantes para a Necromante, que por sua vez, estava exausta e letárgica demais para levantar-se, ela apenas permaneceu de joelhos, tentando concentrar-se na sua respiração, quando percebeu que alguém ouvia todos seus segredos atrás dela.

Um dos seguranças havia a seguido, mas ela conseguia reconhecer a assinatura de outro Mago nele. O Segurança estava sob o efeito de um feitiço, e antes que pudesse reagir, ele acertou a Necromante com força no rosto, e ela caiu no chão.

O resto foi apenas escuridão. Voltamos à nossa pequena sala, copos vazios na nossa frente.

Mistério de Primórdio – A Canção de Diamante Rosa

As bater um delicioso milkshake de whisky e energético para o nosso próximo drink, peguei uma garrafa turquesa em cima do bar, e finalizei com Plasma de uma nova memória.

O cenário modificou-se novamente. Estávamos agora na via costeira, com nossos costas viradas para o mar, e nossos olhos voltados para as areais finas e brancas do Parque das Dunas.

O Taumaturgo observava as areias, a luz pálida da lua contra sua pele negra, cabelos curtos e olhos verdes. Uma leve luminosidade rosa brilhava em meio às Dunas, juntamente com um acorde que tocava sutilmente das areias. Turistas e grupos de amigos estavam distraídos demais pela superlua para ouvir, mas o Taumaturgo podia escutar.

Ele vestiu uma jaqueta num gesto de proteção, lançando um feitiço para protegê-lo das areias revoltas arrastadas pelo vento e para que a pressão de seu corpo sobre a terra fosse tão insignificante que não deixassem rastros de seus passos.

Ele seguiu pelas areias do parque das dunas naquela noite, tendo a luminescência rosa como seu ponto cardeal, e o som crescente das quatro notas daquele acorde intensificando-se, hipnoticamente.

Eventualmente ele encontrou uma espécie de vale formado de areia, mas mantido firme pela vegetação verde e saudável que crescia em suas bordas e paredes, mantendo-as estáveis, e em meio a elas, uma estrutura se erguia da areia, numa forma similar a de um gazebo com seis faces retangulares, paredes vazadas na forma de flores, quatro pernas aracnídeas, das quais, duas estavam quebradas, um véu rosa rasgado voando contra o vento.

O acorde vinha do interior desta estrutura, onde brilhava um diamante redondo, com lapidação de brilhante, emitindo uma luz rosa em suas diferentes facetas a cada nota que tocava no acorde.

As Diamantes foram uma Cabala de quatro Magas extremamente poderosas que se estabeleceram em Natal no início do século XX. Durante a época que sua Cabala permaneceu ativa na cidade, o Pentáculo estava mais fortalecido que nunca, sendo capazes de afastar a influencia dos Profetas sem muitas dificuldades, e explorar os Mistérios da capital potiguar sem interferências. Essa época foi batizado pelos Magos mais velhos de Natal como e Era Diamantina.

Contudo, o início do golpe militar de 1964 representou mais que o início de uma ditadura militar no Brasil. Marcou também o fortalecimento e consolidação do poder dos Profetas no Brasil inteiro, e a nova Tetrarquia responsável por comandar os Profetas do Nordeste conseguiu não apenas invadir as defesas dos Despertos em Natal, como também os afugentou muitos deles para o interior do estado.

Apenas os Magos que permaneceram sob a liderança das quatro Diamantes sobreviveram e conseguiram se estabelecer na cidade. Desfazendo sua própria Cabala, cada Diamante passou a liderar uma Cabala distinta em pontos estratégicos da cidade.

A Cabala liderada por Diamante Rosa buscou refúgio nas dunas de Natal, num caminho de transição entre os morros da cidade e o mar, no coração do inimigo, ao contrário de suas irmãs que fugiram para as regiões mais periféricas de Natal.

Por certo tempo, esta Cabala liderada por Diamante Rosa permaneceu ativa e segura, mas as chances de durar para sempre eram praticamente nulas, e poucos anos após o início da Ditadura, um Pilar de Profetas Pretorianos descobriu o seu esconderijo, e organizando uma tropa de soldados para servi-los na eliminação da Cabala de Diamante Rosa.

Numa batalha sangrenta e terrível, Diamante Rosa viu cada um dos seus companheiros cair, os Adormecidos que serviam os Profetas também foram cruelmente eliminados pelo conflito até que restou somente ela e os Profetas que haviam vindo matá-la.

Num último gesto de sacrifício, ela conjurou um feitiço poderoso que fez as areias das dunas engolir o seu Oratório, e junto com ela,  os Profetas. Diamante Rosa sacrificou-se para eliminar a ameaça pretoriana. Seu sacrifício, entretanto, teve um efeito colateral inesperado, pois no momento de sua morte o seu Nimbo assumiu a forma de um diamante cor-de-rosa que contendo seus poderes principais e tocando um acorde especial.

O seu Oratório permaneceu perdido por muito tempo, durante e após a ditadura, dezenas de Magos continuaram a explorar as dunas, sem sucesso algum em localizar as ruínas de seu oratório. Foi apenas na noite da Superlua em que a ressonância lunar harmonizou com a canção de Diamante Rosa, que seus acordes puderam ser ouvidos novamente, e seu Oratório se ergueu das areias do tempo por mais uma noite.

A Canção de Diamante Rosa

Opacidade Básica: 4

Arcano Primário: Primórdio

Mistério contém os Arcanos de Vida e Mente +2

Opacidade Total: 6

INFORMAÇÕES SUPERFICIAIS

  • O Mistério é resultado de Magia Superna

  • O Mistério recai majoritariamente sob o domínio do Arcano de Primórdio

  • O Mistério cerca de 50 anos de existência

  • O Mistério exala uma Ressonância de Sacrifício, Leveza, Pesar e Lembrança

  • O Mistério pode ser interpretado como a Prática de Tecer

INFORMAÇÕES PROFUNDAS

  • A canção, aqui se entendendo os acordes, a forma como as notas são tocadas, a ordem em que são tocadas e o som que produzem, é um Artefato.

  • O Artefato apenas se ativa se o som for reproduzido num instrumento que reflita a mesma ressonância da canção.

  • Quando tocada por uma pessoa sob efeito de uma emoção positiva e/ou agradável, a Canção replica os efeitos do feitiço de Supremacia Gravitacional, reduzindo a força da gravidade para que performa a música. Informação trancada. Alvo precisa estar sob o efeito de uma Condição Mental positiva para destrancá-la.

  • Quando tocada por uma pessoa sob efeito de uma emoção negativa e/ou desagradável, a Canção replica os efeitos do feitiço de Supremacia Gravitacional, intensificando a força gravitacional sob quem performa a música. Informação trancada. Alvo precisa estar sob o efeito de uma Condição Mental negativa para destrancá-la.

  • Quando tocada por uma pessoa que deseja proteger ou salvar outra pessoa, a canção replica os efeitos do feitiço de Vida “Remendo”, curando o corpo da pessoa que o performer deseja proteger.

  • O Artefato é, na verdade, a voz de uma Entidade Superna invocada por Diamante Rosa na batalha contra os Profetas Pretorianos, que foi ferida por um Paradoxo ocorrido em meio à batalha que lhe dilacerou a garganta com quatro feridas, e sua voz escapou por meio de cada uma das feridas, em tons diferentes e causando efeitos igualmente distintos. Informação trancada. Alvo precisa concordar em ficar sob o efeito do Tilt Mudo para destrancá-la.

O Taumaturgo trouxe o Superno o mais próximo possível da pedra preciosa diante dos seus olhos, evocando os símbolos do Éter Primordial. Para a sua surpresa, ele viu que a Mana pulsante daquele local não vinha do diamante em si, Na verdade, estava espalhada no ar, o acorde coloria o espaço com Mana rosa, cada uma de suas notas fazia a mana pulsar com um tom distinto, e então ele percebeu que a própria melodia era um Artefato, o Diamante era um mero instrumento para auxiliar a reprodução do som.

Cada nota era um mandala de poder universal, e assim ele tocou a primeira nota do Acorde, viu a mana rosa tornar-se mais clara, quase pastel. Respirar aquele poder significava aceitar o seu comando de quietude. A serenidade que lhe era comandada era tamanha que as amarras que lhe prendiam ao chão pela gravidade enfraqueceram, a música o comandava para subir.

Uma outra nota, um novo Mandala, a mana tingiu-se de um tom tão escuro que era quase roxo, comandando o seu corpo a sentir pesar e lamento, uma ordem de melancolia. O contrário ocorreu, na medida que a força gravitacional intensificou sua firmeza, e seu corpo sentia-se mais pesado.

Uma última nota, um último Mandala, a mana rosa cercou o Taumaturgo, tornando-se tangível na forma de um escudo cristalino cor-de-rosa ao seu redor, um comando de proteção reverberava em sua mente, e ele soube que aquela nota do Acorde era uma de proteção e recuperação.

Ciente dos mandalas contidos naquela canção, o Taumaturgo proferiu o seu próprio Mandala, com sua auréola de autoridade brilhando e ordenando que a canção se revelasse. Seguindo sua ordem, a canção tingiu-se de tons azuis, amarelos e brancos, além do rosa. Quatro feridas foram sentidas dilacerando a garganta do Taumaturgo. Ele compreendeu então, aqueles eram mandalas de uma só voz, uma voz pertencente a uma entidade que habitava o Superno.

O Taumaturgo entretanto, foi arrancado da sua análise com seus sentidos supernos periféricos disparando para uma figura acima dele. Mana tingiu-se de azul, um outro acorde, com notas similares mas de tons distintos.

Outra pessoa trazia a canção de outra Diamante, uma canção azul, que reagiu à canção rosa que o Taumaturgo estava estudando. Mana púrpura tingiu o ar quando as duas canções reverberaram uma contra a outra um sentimento de pesar e desespero invadiu a mente dos dois Magos. A última coisa que viram foi uma onda colossal de areia soterrando ambos numa tumba de areia branca.

Conclusão

Bom, acho que esses dois drinks foram o suficiente, concordam leitores? Eu tive minha dose de delírios mágicos, mas estou determinado a ajudar os fantasmas destes pobres Magos, talvez eu te ensine como lidar com os diversos tipos de fantasmas e seus negócios inacabados no próximo texto.

Dito isso, espero que vocês tenham gostado da breve explicação que eu dei sobre Mistérios e a importância deles para o Jogo e o mundo de Mago: o Despertar, e do modelinho que eu usei acima para organizar Mistérios e suas informações. Me falem aqui nos comentários ideias legais para outros Mistérios ou para aperfeiçoar esse sisteminha que eu coloquei!

Até lá, longos dias e belas noites queridos leitores!

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