“Meu Gonzo Favorito”

Olá Aventureir@s! Estamos de volta em nossas experimentações no Laboratório do Alquimista do Mundos Colidem! Nesta coluna eu venho apresentar a minha proposta para, quem sabem, você resolva adora um Gonzo de estimação. Mas antes, proponho que conheçamos um pouco melhor sobre tudo isso. A partir da ideia de “referências de RPG”, o que permitirá uma melhor compreensão da origem da expressão em RPG “Gonzo”.

 

 

 

 

 

 

Referências diretas

É comum sair um RPG atrelado à uma história de fantasia mainstream. Recentemente tivemos a explosão de duas séries, uma da HBO: “Game of Thrones” (baseada nos livros de G. R. R. Martin: As crônicas do gelo e fogo), e uma da Netflix: “The Witcher” (baseada na série de livros de mesmo nome de Andrzej Sapkowski). Nos dois casos tivemos os seus respectivos RPG lançados, o Game of Thrones RPG (que saiu no Brasil pela Jambô Editora) e o “The Witcher RPG” (que saiu no Brasil pela Devir Livraria). Nesses dois exemplos, temos um caso que resolvi chamar nessa resenha de “referência direta”.

 

 

 

 

 

 

O universo de Tolkien possui diversos sistemas que buscam proporcionar uma experiência de aventuras na terra média, eu já experimentei o MERP (Middle-Earth Role-Playing) e o AiME (Adventures in Middle-Earth). Este último que foi construído sob a engrenagem OGL do D&D5e, a partir de outro jogo, o The One Ring RPG (este ainda não joguei).

De forma geral, a minha intenção até aqui foi ilustrar com alguns exemplos que existem RPGs que estão diretamente ligados à sua principal referência. Geralmente você lê o nome do RPG e já faz a conexão, apesar de que nem todos possuem um bom sistema de jogo para a experiência que propõem, mas é uma expectativa clara que temos quando vamos jogar MERP de vivenciarmos uma experiencia de jogo na pegada da terra média.

 

 

 

 

 

Referências por temas

Existem outros RPGs que buscam proporcionar um estilo de aventura, e suas referências passam a ser o estilo em sí, mas ainda assim você pode ver um padrão. Caso o seu grupo esteja interessado em vivenciar aventuras na proposta de piratarias, você pode buscar RPGs que são construídos para isso, cito aqui exemplos como GURPS Swashbucklers, o 7º Mar, e o Freeboters (um hack do D&D0e adaptado para o tema de pirataria). O problema que vejo nesse tipo de seleção, é que a experiência é muito diferente de um sistema para o outro. Eu pude perceber isso quando estava assistindo a série “Black Sails”, e fiquei vidrado na expectativa de um RPG nessa pegada, optei pelo 7º Mar. Não posso dizer que não foi divertido, mas a experiência foi muito diferente da expectativa, pois a sensação na mesa foi muito mais perto de algo como “Piratas do Caribe”.

Referências por estilo de jogo

Atualmente eu imagino que é melhor avaliar o RPG que se deseja jogar por estilo de jogo, pois acredito que há uma chance maior de termos uma experiência mais próxima da expectativa. Cito como exemplo uma situação em que se você adora aquele grid bem estruturado, miniaturas espalhas pelo cenário, e busca um jogo que lhe proporcione um bom combate tático, talvez você se encontre no Pathfinder (1e ou 2e), nos D&Ds da era WotC (3e, 4e ou 5e), ou quem sabe Warhammer RPG.

 

 

 

 

 

Dentro desse tema, eu não poderia deixar de usar esse “AdO” (Ataque de Oportunidade) e falar sobre uma lista que eu adoro, que é o Apêndice N, e os incríveis Gonzos que são os D&Ds clássicos e alguns sistemas OSR!

O que é um Gonzo?

A etimologia dessa palavra possui uma série de possiblidades, como do espanhol “gonso”, do francês “gonzeaux”, ou do italiano “gonzo”. A sua aplicação originalmente foi usada para um tipo de jornalismo fora do convencional, exagerado e com subjetividades. Com o tempo, gonzo começou a ganhar um sentido paralelo ao estranho ou bizarro. Você se lembra do Gonzo, personagem estranho do desenho Muppet Babys?

 

 

 

 

 

 

E o qual a relação disso com RPG? 

As primeiras edições do D&D tiveram múltiplas influências, muitas delas do que é conhecido como “literatura pulp“, que trata-se de diversas revistas de baixo custo, que pagavam muito pouco aos autores e artistas, usavam um material barato, e em muitos casos possuíam capas e ilustrações consideradas apelativas. Muito desse conteúdo serviu como base e inspiração, reportada no primeiro Dungeon Master Guide do AD&D1e (1979), no “Apêndice N” desse livro, por Gary Gygax. Existe ali conteúdo de espada & feitiçaria, sci-fi, literatura fantástica, cito o exemplo da revista “Weird Tales“, que publicava os contos de Conan de Robert E. Howard. Caso você queira saber mais sobre isso, segue um link que fiz sobre isso:

 

Lembra quando eu disse que quando vamos jogar MERP a expectativa que criamos é a de vivenciar aventuras na terra média? Pois bem, toda essa literatura consiste em um conteúdo anterior ao lançamento do D&D (1974), e são as referências e inspirações de Gygax, Arnesson e de diversos designers da época. Por isso muita gente brinca que os D&Ds clássicos pareciam um Gonzo, de certa forma ele teve em sua base muitas referências diferentes, e acabou sendo uma mistura de um pouco de cada  conteúdo dessa literatura contida no Apêndice N.

Quando o movimento OSR surgiu nos anos 2000s, muitos jogos buscaram resgatar a experiência de aventuras inspiradas no Apêndice N, e por isso eu considero que buscar um sistema por estilo de jogo pode facilitar o seu alinhamento entre expectativa e experiência. Eu adoro essa estranheza dos primeiros D&Ds. Caso você queira saber um pouco mais sobre o conteúdo do Apêndice N, e como se deu a evolução do D&D, eu fiz uma série de vídeos no canal que apresento um pouco disso, segue o link:

 

Conclusão

A minha principal intenção com esse texto foi compartilhar com vocês um pouco dessa reflexão, eu já brinquei bastante com o sistema do D&D5e, tentei torná-lo mais old school (como fiz para a campanha de Tomb of Annihlation) e tentei torná-lo mais próximo à uma fantasia dark (como fiz para a campanha de Curse of Strahd). Não acho que isso é um problema, nem que foi tempo perdido, “Tudo é XP”. Muitas vezes desses hacks e homebrews nascem jogos novos, todo mundo gosta de brincar um pouco de design, e muitos jogos estimulam isso em sua proposta. Um dos pontos que eu considero mais relevante é buscar a referência pelo estilo de jogo, pois certamente é muito diferente você experimentar uma fantasia medieval com Pathfinder ou com o DCC-RPG.

Por fim, desafio aqui você a experimentar e adotar um Gonzo de estimação, segue uma uma imagem com os sistemas clássicos de D&D que considero compatíveis com o Apêndice N.

 

 

 

 

 

 

 

Uma alternativa são os seus respectivos retro-clones, ou jogos OSR com o mesmo espírito. Dentro da temática de Gonzo, o jogo OSR que na minha opinião melhor reporta o espírito do Apêndice N é o Dungeon Crawl Classics RPG.

 

 

 

 

 

Caso você não conheça muito sobre esse jogo, eu tenho um guia no canal que aborda esse sistema, segue o link:

E aí, qual é seu Gonzo favorito?

E lembre-se, TUDO É XP !

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0 Comentários

  1. Samuel De Carvalho Hernandezsays:

    Texto muito interessante. XP Foda ae galera! Parabéns Quiral e pessoal do Mundos Colidem!

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