Espada & Magia: Teotocan – O Império do Sol

Saudações bípedes, criaturas pensantes, detentoras de polegares opositores e formas de vida baseadas em carbono!!!!!

Quem vos fala é Stefan Costa, e após um relativamente longo hiato, estou de volta como uma Fênix renascida depois de encarar uma das dungeons mais hardcore que a vida tem a oferecer… O concurso público, se o embate neste local trará grandes tesouros no futuro, só o tempo dirá.

Se o título acima lhe pareceu familiar, ou até mesmo clichê, de algum modo eu temo que você está certo, mas convenhamos, com o tema que norteia este cenário não tem nome melhor. Para quem ainda está perdido ou não pegou a referência este mini cenário tem por base nada mais, nada menos, que as civilizações pré-colombianas, mesoamericanas e sul-americanas, ou para resumir, Astecas, Maias e Incas, assim como alguns outros povos.

Eu sei, não parece uma grande novidade e tão pouco algo atrativo para uma campanha de RPG, ou para uma variedade de enredos que não envolvam “encontrar a cidade perdida”. No entanto acredito que isso nada mais é do que pura desinformação, como eu já disse em outras postagens, somos excessivamente bombardeados pelo padrão eurocêntrico de fantasia, mesmo quando há uma abordagem oriental, a mesma raramente é explorada além dos clichês, o que não é necessariamente ruim.

Algo que é fácil de se esquecer é o fato de que o ser humano é um ser humano em qualquer tipo de contexto cultural, geográfico ou epistemológico, pessoas são naturalmente belicosas, supersticiosas, fanáticas, gananciosas, bondosas, mas acima de tudo engenhosas mediantes aos recursos que dispõem no ambiente em que vivem. Essas características podem ser observadas em qualquer tipo de sociedade, sempre apresentando aspectos únicos, e as grandes civilizações da américa pré-colombiana não são uma exceção.

De modo que mais uma vez quero lembrar (para os chatos de plantão) que este é um cenário fantástico onde busquei mesclar diversas características dessas culturas e ajusta-las ao padrão das regras para Espada & Magia do Raphael Lima (que você pode conferir, clicando aqui).

Ao pesquisar me deparei com um número surpreendente de jogos que abordam tais civilizações, por exemplo, os Trolls de World of Warcraft já possuíram, não apenas um, mas dois impérios com uma estética similar a Asteca e Inca respectivamente, com direito a dinossauros, assim como, o império dos Lizardman da franquia Warhammer Fantasy,  bem como o rpg Totems of the Dead, ou os Atruaghin Clans de Mystara, e até mesmo o suplemento Império do Sol (veja só) para o rpg nacional O Desafio dos Bandeirantes, todos de fácil aquisição.

No fim esses cenários, assim como esse, partem do princípio da estética como forma de manter a liberdade criativa e o respeito com essas culturas. Para quem quiser mais informações históricas e dicas como fazer adaptações para suas mesas, também indico alguns podcasts, com destaque para: Maias, Astecas e Incas; Ameríndios; Sulameríndios.

Afim de facilitar a leitura de alguns nomes a seguir eis algumas dicas:

  • Palavras terminadas em L, tem o mesmo pronunciada com o nome O.
  • Palavras separadas por traço ou similares são lidas separadas com ênfase no segundo nome.

Para quem leu minhas postagens anteriores talvez reconheça um ou dois nomes, decidi reaproveita-los vide a sua sonoridade, quaisquer semelhanças entre estes e nomes reais, são pura coincidência. Sem mais delongas, com vocês o Teotocan, O Império do Sol.

O Império

Teotocan é uma civilização poderosa que domina a costa oriental do grande continente de Quetzal, uma nação de guerreiros ferozes apoiados por sacerdotes detentores do poder do Sol, capazes de erguer cidades de pedras, palácios piramidais e grandes templos dedicados ao panteão que orbita o todo poderoso deus-sol, assim como criar uma rede de estradas que liga todos os cantos do império.

Dividido em quatro grandes regiões, Norte, Leste, Oeste e Sul, subdivididas em numerosas províncias regidas por uma nobreza composta por clãs menores subordinados a clãs maiores, todos sob a autoridade do Imperador, tido como o mortal mais próximo dos deuses, portanto um ser divino.

O império se organiza a partir de uma capital, Totec, que domina diversas outras cidades, detentoras de certa autonomia, cercadas de um núcleo rural e interligadas por uma rede de estradas margeadas por vilas. Esses núcleos urbanos tem suas populações compostas de diversas etnias que foram assimiladas pelo seu poder no decorrer de seus três séculos de existência, seja por meio de alianças diplomáticas em sua maioria ou por guerra em poucas ocasiões. Tornando Teotocan o baluarte da civilização nessa parte do mundo. No entanto, ele está longe da paz.

Embora poderoso e próspero o império está tomado pela corrupção, com as casas nobres imersas em intrigas que abusam de sua autoridade, enquanto se cegam a ascensão dos poderes paralelos nas periferias e das ameaças externas. Sua história é repleta de numerosos conflitos externos e internos, não foram poucas as revoltas instigadas por cultistas, clãs rebeldes, fanáticos e traidores. Mais de uma vez dois sucessores ao trono travaram batalhas sangrentas pelo trono do Sol.

Mesmo com todos os revezes suas facções e instituições ainda conservam sua força, explorando ruinas de tempos antigos, defendendo as fronteiras, mantendo a paz no reino e enviando cruzadas para expandir a autoridade imperial.

Geografia

O clima é predominantemente tropical e úmido na maior parte do império favorecendo a agricultura, o império em sua totalidade é delimitado a leste por uma grande cordilheira, as Montanhas de Qotal, também chamadas de Montanhas do Dragão.

Estas estendem-se por mais de quatro milhões de quilômetros quadrados margeados por uma extensa variação geográfica, que inclui, mas não se limita a desertos, florestas tropicais, planícies e tundras próximo do topo das cordilheiras, pontilhadas por vales, planaltos e grandes altiplanos, dentre os quais abriga Lamenk, O Mar Elevado, um imenso lago com mais de oitocentos quilômetros de diâmetro que se encontra a mais de três mil metros acima do nível do mar, pontilhado por mais de cinquenta ilhas naturais e pelos trinta ilhas artificiais.

A relativamente estreita faixa de terra a oeste é delimitada pelo mar de Koshj e o arquipélago Yoatl, na fronteira norte do império uma densa selva toma forma, enquanto no extremo sul diversos afluentes, conhecidos como Terras Alagadas, demarca o fim das cordilheiras e começo das grandes planícies que gradualmente dão lugar a um vasto deserto rochoso de Nakau.

A História

Em um passado remoto diversas tribos e reinos se espalharam por toda a cordilheira de Qotal, dentre esses povos um deles, os Iamani, regidos por um poderoso sacerdote iniciou a expansão de seus domínios a partir da Fenda das Sombras, um pequeno vale sob a sombra de dois grandes picos. Lendas relatam que o sacerdote, chamado Koatsu, em meio as cavernas que circundavam a região passaram a comungar como entidade ancestral confinada ali em uma era remota, a Grande Serpente Yamakosh, que ofereceu poder a ele em troca de sacrifícios.

Ele assim o fez e a entidade cumpriu sua promessa prolongando sua vida e dando o comando de feras e criaturas oriundas das profundezas abissais, esse pacto foi perpetuado pela descendência de Koatsu por séculos enquanto um a um os povos das montanhas e os reinos das terras baixas curvavam-se temerosos diante dos exércitos e feitiços dos Iamani, apenas para terem seus povos escravizados e ofertados para Yamakosh, que demandava cada vez mais sacrifícios para aplacar sua sede de sangue, centenas de civilizações foram erradicadas e seu legado fragmentado.

Uma frágil aliança de tribos e reinos se formou para combater a ameaça, liderados por um rei guerreiro do povo Atek, chamado Iaoq e seu filho Tupac, um jovem de caráter engenhoso e ousado que junto de um pequeno contingente conseguiu se infiltrar na cidade-estado, capital do autointitulado Império da Serpente, onde permaneceu por quase cinco anos, onde estudou a fundo seus inimigos, também foi nesse período em que conheceu Nesaa, a filha de uma das muitas concubinas do imperador, pelo qual se apaixonou, unidos pelo desprezo aos costumes brutais de seu povo a jovem sacerdotisa e o príncipe traçaram um plano.

Um ano mais tarde os exércitos aliados marcharam de Lamenk em direção a capital do império, uma manobra tida como suicida, no entanto, simultaneamente Nesaa junto de um sacerdote de Tocan, o deus-sol, iniciou um ritual onde rogavam sua ira sobre Yamakosh, reivindicando que a mesma fosse lançada novamente em sua prisão de trevas. Ao mesmo tempo Tupac, que secretamente havia organizado e treinado os escravos, empunharam em armas e iniciaram uma revolta no coração da cidade capital que durou o bastante para que os portões fossem abertos e a turba de guerreiros invadisse a cidade em uma furiosa maré vermelha.

Ao tentar conjurar o poder da Grande Serpente e de seus servos sombrios, o grande deus-sol Tocan e sua esposa Taruna , a deusa-lua, olharam por Nesaa e Tupac, fazendo da jovem e do príncipe os portadores de suas armas sagradas, A Espada do Sol e a Adaga do Luar, lançando seus servos ao seu auxilio em um batalha selvagem entre forças primordiais que resultou na derrota de Yamakosh, que se refugiou em uma caverna em seu desespero. Um terremoto enviado pela deusa-terra Tolunn selou todas as passagens subterrâneas, destruiu a Fenda das Sombras e levou a cidade de Iamani a ruína, aprisionando Yamakosh novamente no interior da terra.

O imperador serpente Natoq foi degolado por Tupac e seu exercito debandou quando sua cabeça foi exposta no topo do templo onde residia Yamakosh, seus descendentes e guerreiros mais leais se refugiaram nas inexpugnáveis selvas de Qu´Tan no extremo norte onde guerrearam com os nativos, chamados Chankas, tendo reconstruído parcialmente seu poder em meio ao exilio.

Iaoq, que liderou a investida pela capital foi morto em combate, seu título passou a Tupac que desposou Nesaa e fundou a cidade de Totec juntamente do Império de Teotocan, O Reino do Sol, nomeado em honra a Tocan, que tornou-se Loaa (patrono) da nação juntamente de Taruna. Desde esse evento três séculos se passaram.

Povos e Culturas imperiais

A principal cultura do império é a dos Atek, uma vez que esse povo de forte tradição guerreira foi o responsável por liderar a aliança das tribos contra os seguidores de Yamakosh, essa aliança compôs a base da sociedade e estrutura política do império, uma vez que Tupac provou-se não apenas um grande guerreiro, mas também um hábil diplomata e um exímio governante, tendo criado as principais leis do império e sua organização, que se mostrou efetiva e praticamente inalterada nesses três séculos, com o tempo novos povos foram anexados e inclusos na hierarquia, ao longo do tempo cinco etnias se sobressaíram numericamente.

Um aspecto cultural importante a ser citado é o de que dentro do império não distinção de gênero entre homens e mulheres para a realização de qualquer tarefa e na maioria das profissões, com exceção de alguns cargos sacerdotais, embora hajam campos predominantemente masculinos e femininos, nenhum cargo ou honra é vedado a um indivíduo em decorrência de seu sexo, nem mesmo a sucessão, passada sempre para o filho(a) mais velho. Desde sua criação o império já foi governado por nove imperatrizes.

Povos além das fronteiras de Teotocan podem ter outros costumes e tradições no que diz respeito aos papeis sociais masculinos e femininos.

Como uma menção honrosa temos alguns membros de uma tribo serva dos Iamani, que permaneceu leal, foram poupados do exilio e da execução por terem traído seus mestres, no entanto foram cada vez mais sendo relegados a margem da sociedade, sendo hostilizados e perseguidos em muitos locais mesmo nos dias atuais. Buscando se distanciar do passado sombrio adotaram o nome Nadatl, “os redimidos”, no entanto muitos acabam se isolando ou aderindo a criminalidade.

Os Oatl são humanos baixos de cabelos escuros que mantêm um corte tradicional, deixando sempre a lateral da cabeça desnuda de madeixas, são muito religiosos compondo a maior parte do clero do panteão solar do Império, sendo relativamente intolerantes com outras crenças no império. Costumam atuar como juízes e conselheiros, embora possuam um braço armado numericamente pequeno, mas muito expressivo e eficiente no combate a forças ocultas.

Os Jagarii afirmam serem irmãos dos Atek, pois compartilham a benção do deus-onça Jaguar, o irmão menor do deus-sol, Tocan. Buscam mimetizar seu patrono e animal que representam, adotando um comportamento feroz e bruto, mas cercado de tradições e símbolos, dando-lhes um aspecto refinado, uma de suas facções domina o Tau-Manak (Caminho da Garra), uma ágil e brutal forma de luta. Devido a percepção de irmandade com os Atek, a maioria dos cônjuges ou concubinas dos imperadores são tradicionalmente Jagarii.

Ooatl são construtores por natureza, sendo autores de obras de engenharia monumentais, muitas vezes erguidas com magias provenientes dos poderes da deusa Tolunn, criando assim grandes templos, palácios, canais rurais e urbanos, assim como vastos “degraus” e terraços usados para montar lavouras suspensas nos pedregosos e íngremes terrenos das cordilheiras, sendo essa a região onde a maior parte de sua população se concentra. São serenos e cordiais, porém capazes de serem inflexíveis e implacáveis quando necessário.

Tchua é uma etnia tida como exótica para os imperiais mais cosmopolitas, embora sua região de origem o lago Lamenk, onde são maioria seja bastante urbanizada, raramente deixam seu altiplano e suas ilhas, salvo comerciantes, andarilhos e peregrinos. Seus característicos cabelos longos trançados, grande estatura e os ponchos multicoloridos são características de destaque desse povo majoritariamente pacífico, no entanto quando necessário eles empunham suas armas e corpos com uma estranha mistura de leveza e força, dando origem a um tipo de sacerdote relativamente incomum, os Mantos Negros, mestres em uma arte marcial que rivaliza com o Tau-Manak, conhecida como Tau-Qoma (Caminho da Correnteza).

Por fim os Atek, são o povo mais numeroso e difundido pelo império, tendo sido o povo fundador do mesmo e anteriormente líder da aliança das tribos contra os Iamani, são um povo de estatura média e com cabelos naturalmente negros, embora possuam o costume de pinta-los e tecer pequenas tranças, assim como adornar-se com penas de aves, algo relativamente comum em outras partes do império, no entanto os Atek o fazem como símbolo de status, algo que pode ser visto na hierarquia militar do império que adota esse costume. São artesãos e acadêmicos muito competentes que se orgulham de sua devoção a Tocan, enxergando a sim mesmos como cuidadores das demais etnias.

Povos e Culturas além do império

O lado oriental de Quetzal é uma região geograficamente muito variada, o que acaba por se refletir nas culturas que o habitam, entretanto assim como no império algumas etnias se destacam numericamente, tendo uma maior influência na geopolítica de suas distintas regiões.

Do deserto de Nakau no extremo sul das regiões conhecidas além das fronteiras de Teotocan erguem-se diversas cidades-estados construídas com madeira e barro em uma arquitetura engenhosa, e confusa para alguns arquitetos imperiais.  Não raro essas cidades estão mais preocupadas em guerrear entre si do que unir-se frente ao avanço do império, que devido a sua natureza diplomática mantém boas relações com diversas dessas cidades.

Sua estrutura governamental é similar, sendo composta de uma elite monárquica, uma nobreza que administra setores da cidade e comunidades ao redor, sacerdotes e mercadores acima da população majoritariamente composta de lavradores. Politicamente as cidades-estados de Nakau estão divididas em duas confederações com interesses distintos: Paionami e Axanan, que levam os nomes das cidades que as lideram. Entre numerosas desavenças sociais, políticas e religiosas, um dos pontos de maior discórdia entre os dois grupos é a hostilidade e a recepção ao império.

Em Paionami há escravidão e a crença de que mulheres são inferiores aos homens, enquanto Axanan é uma sociedade matriarcal onde a escravidão é um tabu religioso, entretanto há discriminação etnológica com uma camada social conhecida como Ioma.

No extremo norte encontra-se a região mais obscura conhecida nessa parte do continente, as selvas de Qu´Tan estão em constante conflito entre seus povos nativos, tidos como bárbaros por alguns, conhecidos como Chankas, os mesmos não possuem um reino ou cidade-estado sendo organizados em tribos que podem se estender deste um pequeno vilarejo até a extensão de uma grande cidade, estes grupos se enxergam, cada um, como uma nação, mas que traçam suas linhagens até um mesmo fundador que liderou o povo através de uma grande migração, chamado Tchako.

Os Chankas estão em frequente conflito com os descendentes dos refugiados do Iamani que se refugiaram nas densas matas, que hoje assumiram o nome de Yamog, “servos de Yamakosh”, também chamados de “homens-serpentes”, erguendo cidades-estados sofisticadas, porém inferiores ao padrão de seus ancestrais, e templos piramidais nos quais fazem brutais sacrifícios em honra ao seu deus profano. Esporadicamente essas cidades criam alianças e reúnem cruzadas para tentar infligir danos a Teotocan e reconquistar suas antigas terras e colônias, agora em ruínas, não raro enviam sacerdotes para se infiltrar no submundo do império e formar cultos e movimentos fanáticos.

Magia

Os poderes arcanos no império são envoltos em superstição, sendo muito temidos pela maior parte da população, isso em grande parte devido aos macabros rituais dos Iamani, o que levou ao abandono e até perseguição de tradições milenares que se viram extintas devido ao medo e ao preconceito. A magia no Império e nas terras adjacentes se divide em dois ramos distintos: A magia Clerical e a magia de Invocação

A magia Clerical é praticada por sacerdotes e curandeiros, sendo voltada para a cura e bênçãos oriundas dos deuses e entidades reverenciadas pelos praticantes. Para ser exercida é preciso o uso de um amuleto ou símbolo sagrado junto de orações.

A magia de Invocação tem por base manipular as forças naturais do mundo ao redor para conjurar seres elementais ou oriundas de planos místicos para que realizem uma tarefa ou concedam algum tipo de conhecimento e favor para seus mestres. Essas criaturas têm diferentes níveis de poder, bem como formas e domínios de poder distintos e antagônicos entre si, podendo se manifestar como serpentes emplumadas aladas ou como assombrosos felinos que emergem das sombras para rastrear e dilacerar suas presas.

Toda vez que um conjurador for convocar esses seres ele deverá fazer um pequeno ritual, envolvendo gestos, palavras ou amuletos. Quando for adquirir um novo ser ele deve contatar o mesmo, novamente por um ritual, podendo conquistar seu favor e simpatia ou escravizando-o, independente da cultura ou tradição todo conjurador sabe que lidar com essas entidades é arriscado, seus comandos devem ser específicos, uma vez que muitas delas são caprichosas e traiçoeiras.

Os domínios podem variar conforme a tradição ou crenças da cultura do conjurador, no império eles são definidos como seis, sendo eles: Sol, Fogo, Ar, Terra, Água e Sombras.

 

Tecnologia

Como já foi dito anteriormente os povos que habitam a linha da cordilheira são mestres na construção e lapidação de rochas, uma vez que seus templos e palácios são erguidos com rochas lapidadas de modo que se encaixem uma nas outras, dispensando o uso de qualquer tipo de argamassa. No entanto sua engenhosidade não termina por aí, pois apesar de rica em recursos naturais, a região é pobre em minérios, mas rica em silicatos. O que isso significa?

Simples… Metal é um artigo raro e muito caro, o qual apenas algumas dezenas de indivíduos em todo império são capazes de moldar em pequenas joias, cujo preço poderia sustentar toda uma província por pelo menos um ano. Armas, armaduras e diversos outros objetos são confeccionados em sua maioria a partir de madeira e couro, com o uso ocasional de ossos ou pedras lascadas, obsidiana e sílex, o que de modo algum os torna inferiores a qualquer outro império.

Há certos de tipos de árvores, cultiváveis e abundantes em várias regiões, cuja madeira é tão resistente quanto o bronze, podendo ser endurecidas com calor, tratadas com resinas ou envernizadas para adquirem graus de resistência muito similares ao metal, sendo tão eficientes quanto o mesmo. Em termos econômicos, o dinheiro no império e na maioria das regiões ao redor faz uso de moedas de cerâmica para transações comerciais, cujo valor é determinado pela cor representando uma equivalência em quilos de grãos.

  • 1000 quilos de grãos equivalem a uma moeda preta;
  • 100 quilos de grãos equivalem a uma moeda branca;
  • 10 quilos de grãos equivalem a uma moeda verde;
  • 1 quilo de grãos equivale a uma moeda marrom.

Suas cidades possuem sistemas de canalização que fornecem água limpa e um sistema de esgoto cujos dejetos são reaproveitados em um composto usado como fertilizante, um serviço realizado por criminosos. São capazes de produzir papel e criar vastas bibliotecas, ainda que sejam sumariamente particulares.

Em Lamenk e em regiões próximas a da costa começaram a surgir nos últimos cinquenta anos as primeiras ilhas artificiais do império, criadas para atuar como postos de suporte, controle e reparos para embarcações em um projeto de expansão naval do antigo imperador e da atual imperatriz.

Tipos de Personagens

Teotocan é um império muito vasto que abarca muitas etnias, crenças e organizações, das quais os personagens podem fazer parte ou mesmo se opor. O mestre e os jogadores tem liberdade de preencher algumas das lacunas que estou propositalmente neste cenário, acredito que com um pouco de estudo é possível ter muitas inspirações, bom eu pelo menos tive, mas como nem todo mundo tem essa paciência a lista a seguir ajuda a ter uma ideia dos tipos de grupos que se pode pertencer.

  • Um jovem cavaleiro imperial, a elite chamada Jaguar, de origem humilde que luta para provar o seu valor em meio aos colegas prepotentes;
  • Um talentoso, mas ingênuo, espadachim vindo de uma pequena ilha ao norte de Lamenk;
  • Explorador Ooali que busca redescobrir uma mina ancestral perdida durante a ocupação Iamani;
  • Um renegado Chanka expulso de sua tribo que atua como mercenário;
  • Um mestre de Tau-Manak/ Tau-Qoma que deixou sua casa em uma peregrinação para aperfeiçoar suas habilidades;
  • Um guerreiro-sacerdote Ooatl, que busca eliminar um culto infiltrado no submundo de Totec;
  • Um grupo de marginais da tribo Nadatl que buscam a ascensão no submundo do crime de uma grande cidade;
  • Um feiticeiro Atek que serve a uma proeminente casa nobre, mas que guarda um segredo terrível;
  • Guerreiros vindos do deserto de Nakau que buscam trabalho como mercenários e guarda-costas nas cidades imperiais.

Tipos de Aventuras

Como já foi dito, o império é muito vasto e densamente povoado, com muitas disputas de poder internas e conflitos esporádicos externos, o que acaba gerando um número muito alto de tramas, sub-tramas e eventos ocorrendo simultaneamente, sendo alguns deles:

  • Um embaixador da Axaran/ Paionami que busca abrir uma relação comercial com o imperial é assassinado na capital, sua cidade natal exige que o assassino seja encontrado ou haverá guerra;
  • Uma jovem pede a proteção de um lorde no norte do império, afirmando ser uma princesa de uma cidade Yamog;
  • Uma sacerdotisa de Taruna capaz de conjurar os servos da mesma que busca por um item revelado em uma visão;
  • Um grupo de exploradores liderados por um acadêmico exploram ruinas pré-Iamani em busca de desvendar segredo esquecidos do passado;
  • Uma unidade especial do exército designada para realizar missões de alta periculosidade, tais como combater criaturas ou incursões dos Iamani ou Chancas do norte de Nakaus inimigos do sul;
  • Um grupo fundamentalista tem cometido chacinas nas periferias e em vilas afastadas massacrando todos os Nadatl, almejando “purificar” o império;
  • Boatos de uma fera assassina tem interrompido o fluxo comercial em uma importante estrada comercial, uma unidade do Jaguar imperiais é enviada para investigar;
  • Uma horda de criaturas comandadas por um feiticeiro, aparentemente uma vingativa múmia dos Iamani, descem de sua tumba nas cordilheiras em busca dos descendentes de seus algozes.

Antagonistas

Alguns exemplos de fichas de inimigos que podem ser encontrados na maioria das aventuras.

Saqueadores: Embora o império seja extremamente civilizado, muitas regiões permanecem periféricas e sub-urbanizadas, o que leva muitos indivíduos recorrem ao bandidismo como a alternativa a miséria.

PVs: 20, ATAQUE: Espada (dano 6) ou Azagaia (dano 4) . VANTAGEM: Lutar com espadas e Furtividade; DESVANTAGEM: Falta de preparo  .HABILIDADES ESPECIAIS: Atacam em grande número e com rapidez

Cultistas: Indivíduos corrompidos por agentes dos Iamani, ou simplesmente são tomados pela loucura e faram de tudo para agradar seus mestres sombrios, sejam eles reais ou não.

PVs: 20, ATAQUE: Adaga envenenada (dano 6) ou Lança (dano 5) . VANTAGEM: Conjurar servos sombrios de Yamakosh e Enganar; DESVANTAGEM: Fanatismo e loucura. HABILIDADES ESPECIAIS: Poder de convencimento e dissimulação.

Mercenários: Indivíduos que vendem suas habilidades combativas e de infiltração a quem pagar mais, tendo a honra proporcional as moedas de seu empregador.

PVs: 25, ATAQUE: Espada (dano 6) ou Espada (dano 6) . VANTAGEM: Conhecimento bélico e de infiltração; DESVANTAGEM: Ganância e desonra . HABILIDADES ESPECIAIS: Resistência a dano e arma preferida.

Conclusão

Império do Sol é um mini cenário, que não é tão mini assim, que me deu um certo trabalho para ser escrito e exigiu um certo grau de pesquisa. O que isso quer dizer? Que eu espero que você, caro leitor, goste bastante dele, caso não… Use a história do cenário ou mesmo o império em suas campanhas.

Este é um cenário muito rico, mas também muito modular, com diversos aspectos que podem ser aproveitados para seu cenário de campanha, a começar por um império que não segue o modelo romano.

Sei que este cenário acabou sendo um pouco mais enxuto que os demais, e decidi que seria melhor deixa-lo assim, uma vez que ele foge muito da matriz epistemológica comum da fantasia, espero que você caro leitor se sinta estimulado a pesquisar e procurar mais a cerca da história do nosso próprio continente.

Em breve estarei voltando, agora com um intervalo menor de tempo, com mais aventuras fantásticas para vosso deleite. Inclusive o próximo cenário será uma surpresa pra quem curte a coluna aqui. Até mais!!!

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