d20age

Olá Aventureir@s!

Eu sou o DM Quiral, e estamos de volta em nossas experimentações no Laboratório do Alquimista no Mundos Colidem!

Neste capítulo venho falar um pouco sobre uma nova onda que tem tomando o nosso cenário de RPG, o movimento dos fanzines! Para contextualizar melhor vou começar apresentando uma expressão razoavelmente comum, mas que talvez você ainda não tenha ouvido falar: DIY (do inglês: “Do It Yourself), cuja tradução livre é: “faça você mesmo”!

DIY (“faça você mesmo”)

Eu não tenho certeza exata de como surgiu esse movimento, mas uma das hipóteses é que ele tenha seu início nos anos 1920s, nos Estados Unidos, por pessoas que buscavam formas econômicas de reformar a própria casa, e se popularizou a partir da década de 1950, com bandas de música de produção independente. A partir disso a expressão se expandiu como propostas de “colocar a mão na massa”, desde quem customizava a própria roupa, cultivava uma horta em casa, ou fazia os próprios móveis.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E o que isso tem a ver com o RPG?

Muita coisa ! Vou abordar aqui uma pincelada que tem correlação com o meu envolvimento no RPG e com o espírito dos D&D Old School. Um dos parâmetros fortes de jogos OSR dessa linha é o famoso “Ruling, not rules”, e uma parte disso costuma estar diretamente relacionada com o uso de sistemas como uma caixa de ferramenta (e não amarras), para que o jogador (DM) tenha espaço para arbitrar em cima com maior liberdade de julgamento. Um outro ponto que quero correlacionar é o famoso “mundo conhecido”, que é uma proposta muito usada em jogos desse estilo. Para ilustrar, reporto aqui uma passagem sensacional do livro do DCC-RPG:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dentro desse contexto, o movimento OSR nos impulsiona ao DIY, pois é comum esses jogos deixarem um excelente espaço para o “faça você mesmo”, com participação ativa dos jogadores, do DM, que é expandida para toda a comunidade. “Regras como caixa de ferramenta” e “mundos pequenos” são alguns elementos que impulsionam a produção de conteúdo para seu jogo como parte do processo, e essa troca ativa de ideias acaba gerando publicações e divulgações em blogs, websites, canais no youtube, podcasts, em eventos. Os amantes dos D&Ds clássicos ou dos jogos OSR de espírito similar encontraram nesse espaço maravilhoso uma ótima oportunidade também para os fanzines. Existe toda uma infinidade de criações de conteúdo que o movimento OSR entendeu como desing excelente, com estímulo dos próprios autores dos jogos. Cito o exemplo do maravilho “Annual DCC-RPG”, um livro publicado pela Goodman-Games como suplemento ao DCC-RPG, e que nasceu de uma revisão de uma produção maravilhosa coletiva da comunidade, como, por exemplo, o incrível zine Gongfarmer’s Almanaq que tem todo o seu conteúdo disponível gratuitamente no Drivethru RPG. A própria página oficial da Goodman-Games (facebook e instagram) estimula frequentemente diversos zines. A título de curiosidade, eu fiz um vídeo-resenha do Annual DCC-RPG, segue o link:

O que é um fanzine?
Resumidamente um fanzine é uma publicação não profissional e não oficial, produzido por entusiastas, a palavra consistem em uma uma aglutinação de “fã” + “magazine” (daí fanzine). Uma das hipóteses de sua origem é que o termo tenha sido cunhado por Russ Chauvenet e popularizado nos anos 1940s por fãs de ficcão científica. Nesse tipo de atividade (que para muitos é um verdadeiro hobby) os autores geralmente não são pagos, e produzem pelo seu próprio entusiasmo de compartilhar conteúdo com outros fãs.

Esse movimento tem um vínculo direto também com o RPG, pois logo após o lançamento do 0D&D em 1974 começou rapidamente diversas produções complementares de conteúdo por meio de fanzines, desde resenhas do jogo, complementos, até cenários. Dentro do meu conhecimento, o primeiro fanzine para D&D foi o Alaurums & Excrusions (A&E), que é produzido até hoje!

 

 

 

 

Os fanzines foram ferramentas importantes para divulgação do hobby (imagine você viver em um mundo sem internet!).

Fanzines pelo Brasil.

Até onde vi, os fanzines começaram a se espalhar pelo Brasil nos anos 1960s, principalmente com zines de ficção científica e sobre quadrinhos! Rapidamente entusiastas de diversas áreas começaram a espalhar os mais diversos fanzines por terras tupiniquins, com muita produção legal de conteúdo de fácil acesso. Nos anos 1980s e começo de 1990s era comum os jogadores de RPG fotocopiarem os livros importados e distribuírem entre si (geração xerox!). Muitos faziam simplificações, adicionavam algumas house rules, ou algum tipo de revisão ou ilustrações a mão. Isso acabou gerando alguns livretos caseiros para as mesas de jogo, o que de certa forma é também um tipo de fanzine.

Todo esse XP está em construção, eu tive a felicidade de conhecer o +MORRA!, um zine de DCC-RPG que é fruto da comunidade de RPG BR. Existe um grupo no Facebook para brainstormings, ilustrações e tudo é compilado e revisado no fanzine, que possui o PDF disponível de graça no Dungeonist, mas também com possibilidade para o envio da versão física. Para quem quiser saber mais, fiz uma resenha da versão física dele neste vídeo:

A partir daí eu comecei a buscar mais sobre isso, descobri uma galera incrível que produz variados zines de RPG OSR, como o “Vomitation of the Grotesque Princess” (do autor Gustavo Tertoleone), um fanzine originalmente pensado para o jogo Lamentation of the Flame Princess, mas que a partir das novas edições vai ser expandido para Old School Essentials e OSR em geral. Tem também o zine Portal, um zine OSR (do autor Alê Ferraz), o Horoscope, um fanzine para D&D Rules Cyclopedia (do o Bruno, instagram @horosmusic), e muito mais que pretendo descobrir e compartilhar!

d20ge.

Esse movimento é praticamente um cubo gelatinoso (do bem), pois a gente sente uma energia provocativa e logo somos “engolfados”. Eu não pude resistir e resolvi entrar nessa brincadeira junto com meu amigo Miguel Rodrigues, começamos a produção do d20age por meio de uma parceria extremamente satisfatória, um zine que tem como objetivo homenagear e trazer conteúdo para os D&Ds clássicos (e jogos OSR).

O 20age surgiu por acaso, eu estava preparando uma aventura para apresentar o Dungeons & Dragons B/X para os meus amigos de RPG, quando tive a ideia de resgatar a primeira aventura que criei e mestrei (encontrei anotações no caderno que eu tinha da época, para D&D Rules Cyclopedia), a partir do processo de preparação acabei tendo a ideia de compartilhar esse conteúdo na forma de um fazine. O Miguel topou entrar nessa onda comigo, e construímos esse material, que optamos por ser de produção realmente artesanal (é o DIY em sua essência). Por isso nós mesmos produzimos o conteúdo, imprimimos e enviaremos pelo correio. Esse é um fanzine protótipo (#0), que tem como conteúdo:

1. Funil d20age – uma proposta de jogo funil para o D&D B/X, compatível com Labyrinth Lord e Old School Essentials (OSE), mas facilmente intercambiável para os jogos OSR dessa linha. (Acredito, inclusive, que você pode fazer a experimentação até em 5e, com poucos ajustes).

2. “Tudo é XP” – uma proposta alternativa para determinar avanço de nível (que atualmente uso em jogos OSR).

3. O resgate de um prisioneiro – uma aventura de nível 1.

4. Apêndices – Uma parte onde deixei inspirações e um XP indicado, que me impulsionou para a produção do d20age.

 

 

 

 

 

 

Por fim, a minha intenção é sempre trocar XP, este fanzine é mais uma ferramenta que encontrei para compartilhar um pouco dessas experiências, se você tiver interesse, a versão digital desse material está disponível no Dungeonist (link aqui).

Criamos uma página no Facebook: d20age, com o objetivo de divulgar conteúdo OSR e falar mais sobre o fanzine (faremos muitos!).

Caso queira adquirir uma cópia em sua caixa de correios, entre em contato conosco pelo instagram: @dm_quiral; @rodriguesmiguel_ ou por e-mail: chiralalchemist@gmail.com

Tudo é XP !

2 Comentários

  1. Faltou a origem do termo: ‘fanzine’ vem de ‘fanatic’ (tradução para ‘fanático/a’, porém o mais adequado neste contexto é ‘fã’) e ‘magazine’ (tradução para revista). Então, um fanzine é uma ‘revista de fã’.

    Prof. Gilson

    • DM Quiralsays:

      Boa professor, adicionei esse detalhe para melhor esclarecimento 😉

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