Com quantos talentos se faz um conjurador ou analisando talentos de conjuradores na 5ed

Depois do nosso descanso longo e essa pausa de férias bem merecidas estamos de volta para mais uma sala dentro da nossa Torre do Destino. Sejam bem-vindes novamente, eu sou João D e guiarei vocês por este novo andar falando daquilo que eu já estava falando na sala anterior, o Tashas Cauldron of Everything. Por aqui temos nada de tão novo quanto analisar o Dungeons and Dragons 5ed. O Tashas me lembrou sobre meu problema com os talentos no DnD e esse é um ótimo momento para falar sobre isso. Escolha suas armas, prepare suas magias e agora vamos adentrar mais um nível na nossa Torre.

Na última vez que estive por aqui falei um pouco sobre minhas primeiras impressões do Tashas, me limitando a falar superficialmente do livro e um pouco mais aprofundado sobre as novas habilidades opcionais de classes. Venho jogando DnD esses meses mais do que nunca e até então o Tashas vem se mostrando um livro cada vez mais divertido de usar. A seção de talentos pode não ser a maior, mas traz algumas boas surpresas.

O PHB e os talentos

Para entender um pouco sobre talentos na 5e vale a pena revisitar onde tudo começa, no Player’s HandBook (PHB). Primeira coisa que precisamos lembrar: talentos são opcionais na 5e. Eu não conheço nenhuma mesa que jogue sem eles. É o tipo de opcional que vale tanto a pena usar que até mesas iniciantes eu recomendaria já usar. O tom de diversidade mecânicas que os talentos trazem para a construção dos personagens é muito bom.

Segunda coisa importante quando falamos de talentos: você desiste de usar um atribute score increase (aumento de atributo) para poder comprar um talento. Esse é um custo bem caro, mas que traz um parâmetro único para olhar para os talentos. Esse também é o motivo que eu considero que mesas iniciantes não teriam problemas com talentos, jogadores que não se interessem em conhecer aquilo podem sempre optar por aumentar um atributo em 2 e seguir a vida muito bem. O aumento de atributo é sempre uma boa escolha.

Fica a pergunta, quando que vale a pena trocar o aumento de atributo pelo talento? Essa não é uma resposta fácil nem direta, mas vamos tentar visualizar um pouco o que acontece. Primeiro, talentos que por si só aumentam atributos são ótimas escolhas quando os personagens têm valor ímpar naquele atributo, os half-talents são boas escolhas pela estrutura base dos modificadores de atributos apenas em números pares. Segundo, precisamos de talentos que ocorram muitas vezes, por que um bônus de +1 em algum modificador atributo relevante pro seu personagem é algo que vai aparecer em toda rolagem do atributo.

Separando os talentos do PHB

Costumo dizer que existem tipos de talentos no PHB bem claros: 1) alguns trazem mecânicas marciais, envolvendo armas, escudos ou armadura; 2) outros trazem “bônus” para skills (perícias) em geral com adaptações de ações de perícias ou proficiências em resistência e 3) tem os talentos de conjurador. Alguns poucos talentos não se encaixam tão claramente nessas categorias (como o tough) mas ainda assim esses três grupos funcionam para mim.

Muitos dos ótimos talentos do livro estão nas duas primeiras categorias, dos poderosos polearm master, great weapon master e sharpshooter, aos versáteis luck, resilient e alert, a casa deles não é a categoria dos talentos de conjurador. Na verdade, o único talento de conjurador realmente bom é o warcaster, que é essencial para praticamente todos os conjuradores. Comparar com o elemental adept ou spell sniper é injusto, esses talentos funcionam tematicamente, mas mecanicamente são bem inferiores.

Como olhar para a conjuração

Mesmo após o lançamento do Xanathar’s Guide to Everything (Xanathars) a lacuna dos talentos para conjuradores continuava em aberta. Após escolher bons talentos para concentração e aumentar seu atributo de conjuração ficava sempre algo faltando para os conjuradores. Xanathar tem bons talentos também, mas os talentos raciais têm pré-requisitos bem pesados, a raça, assim acabam não aumentando tanto a diversidade dos personagens.

É bem visível que a diversidade de armas, armaduras, escudos e estilos de luta são um terreno super fértil para pensar em talentos marciais. Onde então estaria o terreno fértil para os conjuradores?

A minha resposta vem rápido: nas escolas de magia.

A tentativa de criar talentos pensados nos tipos de dano também funcionam, mas acabam não afetando uma gama tão grande de magias do personagem, ou acaba induzindo o personagem a pegar apenas aquele tipo de magia. Pior ainda, ela afeta apenas magias de dano deixando de fora ótimas magias que tem efeitos diferentes mas que poderiam se encaixar tematicamente, como por exemplo Sleet Storm para um conjurador com o tema gelo.

Mesmo não existindo até hoje talentos simples que aumente o CD de magias de uma determinada escola, que são os exemplos mais fáceis de pensar alinhando escolas de magia e talentos, o Tashas dá um bom passo na direção bons talentos de conjuradores, ou melhor, envolvendo magias.

Talentos do Tashas

Quem leu a parte de talentos do Tashas sabe bem onde eu quero chegar. Fey touched e Shadow touched são dois exemplos de talentos que se encaixam muito bem para conjuradores. Ainda mais, podem ser usados por uma gama enorme de personagens.

Um pequeno resumo desses talentos: eles dão uma magia de 2º level pré-determinada (misty step e invisibility respectivamente) além de uma magia e 1º level escolhida pelo jogador, mas dentro de duas escolas de magia e ainda um ponto de atributo. Essas magias tem um slot de conjuração extra para o personagem e caso o personagem possa conjurar magia ele consegue usar seus próprios slots da classe para conjurá-las também.

Olha isso. OLHA ISSO! Os talentos são versáteis, muito úteis, podem ser poderosíssimos e ainda tem o teor temático bem interessante. Se encontram dentro as escolas de magia, dão capacidade de conjuração limitada para personagens não conjuradores e aumentam a diversidade de escolhas de magias para personagens conjuradores. Veja que você pode escolher magias que não estão na lista da sua classe e ainda assim conjurá-las com slots da sua classe.

Olhando para ambos

Pelas escolas que estão atreladas o fey touched é considerado o filho mais bonito em comparação com o irmão shadow touched, mas ambos os talentos são divertidos de ter e usar. Estou jogando com dois personagens em mesas do Leishmaniose, colunista aqui no Mundos Colidem no Lugar Nenhum, e posso dizer que estou muito mais que satisfeito com ambos os talentos.

fey touched dá acesso a melhor magia de movimentação em níveis baixos, além de possibilitar escolhas agressivas como hunter’s markhex ou escolhas mais e grupo como bless. Não esquecer que Disonant Whispers é uma escolha possível pra dano direto. No lado do shadow touched temos Disguise Self como uma ótima opção dentro o tema. Conjuradores só tem a ganhar com mais magias conhecidas ou preparadas além da economia de espaços de magia. Personagens mais marciais podem ganhar magias ótimas que não estariam disponíveis para eles de uma forma simples.

O tashas ainda apresenta o telekinetc e telepathic que são também ótimas opções de talentos para conjuradores. Ainda quero testar ambos em mesas futuras.  Ao lado dos touched estou ansioso aguardando novas versões com todas as escolas e temas diversos, como um dragon touched com abjuração e evocação, por exemplo.

Finalizando

As novidades de talentos para conjuradores do Tashas me trouxeram uma ponta de esperança em receber mais opções nesse estilo. Quem sabe em livros futuros, ou numa edição futura, eles seguem essa linha. Fica o conselho, testem esses talentos e me digam se foi tão divertido para vocês como está sendo para mim.

E você, o que acha dos talentos do PHB na 5ª edição? Concorda comigo que os livros têm poucas opções de talentos para conjuradores? Chegou a se interessar por algum talento do Tashas? Conseguiu por em prática o uso de algum talento do Tashas? Vamos aproveitar o espaço dos comentários para debate e compartilhar suas ideias e experiências.

Se você já chegou até o final dessa sala aproveite mais um nível de experiência na nossa Torre do Destino. Como falei, o Tashas me trouxe muitas coisas novas para comentar, além de revisitar coisas antigas do sistema que eu não tinha falado antes. Aproveite seu descanso curto, ainda teremos mais temas vindos desse livro.

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