Usando aspectos em Dungeons & Dragons 5e

Olá, eu sou o Lima, Raphael Lima.

Saudações 2d20 leitores desta coluna conhecida na comunidade como a Caixa do Lima. Então, como vocês estão nessa quarentena? Embora muitos digam que não há pandemia, e que o isolamento é desnecessário, sabemos que as coisas não são bem assim. A pandemia é séria, e os dados são alarmantes, e quando estou tentado organizar essas palavras vejo notícias que o Brasil pode se tornar o novo epicentro global do Covid-19.  

E se você está no isolamento, algumas medidas são necessárias para manter a sanidade, isso não é um manual, apenas algumas sugestões: organize uma rotina de trabalho, leituras, joguem RPG on line, tentem fazer minicursos e quando não estiverem se sentindo bem, chame um/a amigo/a para conversar. Para os que não podem estar em isolamento, devido a questões de força maior, usem máscaras, lavem sempre as mãos e evitem contato o máximo que puderem. Juntos somos mais forte. 

Nessa quarentena, aproveitei para organizar meu cronograma de leituras que estava um pouco bagunçado devido a correria da vida adulta e até uns joguinhos on lines, pois estou com duas mini campanhas rolando no Roll20 + Discord: Stranger Things, usando a adaptação para o Crianças Enxeridas postada anteriormente neste espaço, e um jogo de Avatar: a lenda de Aang usando uma adaptação para o Fate Acelerado postado nesta coluna lá nos seus primeiros dias de vida. 

Em relação às leituras, já faz alguns anos que aderi ao uso e consumo de e-books, pois a medida que ganhamos XP no relacionamento, que são os filhos, eles precisam de espaço, e tive que me desfazer de alguns livros físicos que foram doados, vendidos e afins, nisso inclui livros de RPG e literatura, passei priorizar a aquisição de livros digitais. Há algum tempo a Jambô lançou a trilogia do Drizz’t, e sempre tive vontade de ler, mas o livros físicos estava fora de cogitação, mas nesta quarentena a editora lançou em formato digital, e assim que foi disponibilizado adquiri o livro, e já digo que a qualidade está impecável. 

Devorei o livro em quatro dias, e muitas expectativas e reflexões foram criadas. Sobre as reflexões, está a questão ainda da permanência do termo “elfo negro”, que apenas a mudança em outras mídias do Dungeons & Dragons para “elfo obscuro” não resolve este problema, quando o mesmo tem seu termo mudado, mas ainda é descrito como algo maldoso e negro em associação. Mas essa é uma reflexão para uma outra postagem, após um amadurecimento maior das ideias, após o fim da leitura dos livros da trilogia do famoso Drow (acabei de pegar o segundo livro). 

Sobre as expectativas, o livro cumpriu todas quando me apresentou de forma bastante satisfatória vários aspectos da sociedade drow, na qual tinha interesse em conhecer um pouco mais de Mezoberranzan e suas particularidades. Em especial a relação com a Deusa Aranha Lolth, e as suas sacerdotisas, e os ritos sociais para os indivíduos do sexo masculino em uma sociedade matriarcal. Tal leitura me inspirou a voltar a um velho projeto que maquinava em minha mente, preparar uma mini campanha onde o grupo de jogadores são drows mercenários contratados para derrubar ditaduras no Mundo de Malastare, um cenário autoral que rabisquei em meados de 2003, e que carece de muitas melhorias. Acho que é um bom momento para dar uma reorganizada no material.

MAS O QUE SÃO ASPECTOS?

“Mas Lima os drows são maus!” Depende camarada, na linha oficial do Dungeons & Dragons eles são malignos, mas no cenário na qual estou ambientando a aventura, todas as raças jogáveis são passíveis de serem malignas e benignas, não existe uma raça totalmente má, ou totalmente do bem. “Mas Lima isso é uma heresia!” Calma meu amigo, o Livro do Jogador (LdJ), na página 6 diz:

“Seu DM pode ambientar uma campanha em um desses mundos ou em outro, inventado por ele próprio. Devido a toda essas diversidade, sempre vale a pena conferir com o seu DM a existência de regras da casa, aquelas adaptações feitas pelo grupo que alteram o sistema de jogo. Afinal, o DM é a autoridade máxima sobre a campanha e o cenário, mesmo que esta seja ambientada em um mundo oficial.”

Usando dessa prerrogativa apresentada no LdJ – embora não curta muito esse conceito de “autoridade máxima” – vou fazer essa curta série de postagens sobre algumas regras da casa que pretendo usar nessa campanha, e escrevo essas orientações, para os os jogadores que participarão, e para os interessados no compartilhamento dessas informações. 

Os que acompanham essa coluna de longa data, sabem da minha preferência pelos sistemas narrativos, e é por isso que pretendo introduzir a mecânica de aspectos muito bem utilizada no Fate, e também em outros sistemas com nomes diversos. Os aspectos segundo o Fate, página 49:

“Um aspecto é uma frase que descreve algo único ou notável sobre alguma coisa. Ele é a principal forma pela qual você ganha e gasta pontos de destino, além de influenciar a história por criar oportunidades para os personagens ganharem bônus, complicar a vida de um personagem ou adicionar valores à rolagem ou oposição passiva de um personagem.”

Os aspectos descrevem elementos narrativos, particularidades ou minúcias no cenário, isso inclui locais, personagens, personagens do narrador, detalhes em monstros e equipamentos, e podem ser utilizados pelos jogadores e o narrador. Uma rocha que pode ser usada como elemento que ajuda na defesa de ataques de um Bugbear enfurecido, mas também atrapalha no ataque do personagem jogador causando uma desvantagem para ambos. 

Os aspectos são elementos particulares de cena que podem ser introduzidos pelo narrador e pelos jogadores, e que pode ser utilizado por ambos os participantes da mesa para melhorar as suas rolagens. Um exemplo, uma luta em uma caverna pode ter os seguintes aspectos: “uma entrada e uma saída”, “baixa iluminação” e “estalagmites por todos os lados”. Esses são pontos fortes na cena onde se desenrola ação, e podem ser utilizadas pelos personagens jogadores e não jogadores. 

USANDO ASPECTOS NO DUNGEONS & DRAGONS

Pensando em usar a mecânica de aspectos na mini campanha de drows derrubadores de ditaduras, novamente gostaria de frisar que estou invocando a citação da página 6 do LdJ citada acima, e que ninguém é obrigado a usar, como também não sou obrigado a compartilhar, mas optei por tal. 

No Fate o mestre define uma quantidade de aspectos para cena de acordo com a quantidade de elementos que ele acredite que seja interessante para a mesma, e os jogadores através de ações também pode criar aspectos para a cena. Mas para esse jogo e a inserção da mecânica de aspectos no D&D, farei da seguinte forma:

  • O mestre pode elencar entre 3 à 5 aspectos por cena em uma sessão.

Exemplo: Cena: combate com Orcs em uma caverna. Aspectos:  “uma entrada e uma saída”, “baixa iluminação”, “estalagmites” e “armadilhas”.

  • Cada jogador pode invocar gratuitamente um aspecto de cena por sessão de jogo, zerando para a próxima sessão.

Exemplo: Caetano, jogador de Ventos Cortantes, um halfling ladino está querendo passar furtivamente pela caverna sem ser notado pelos orcs minutos antes do combate começar, então ele vai fazer um teste de furtividade. Ele decide gastar sua invocação gratuita para invocar o aspecto “baixa iluminação” que vai dar uma vantagem na rolagem da perícia.

  • O grupo pode inserir até 2 aspectos por cena, fazendo um teste de inteligência contra CD 15, tendo sucesso, os jogadores podem colocar um aspecto na cena, que não vá contradizer a narrativa, e de comum acordo com o mestre. Se o resultado for 20 ou mais na soma dos dados, o grupo além de colocar um aspecto, recebe uma invocação gratuita. E se o resultado for um 20 natural nos dados, o grupo insere um aspecto e ganha duas invocações gratuitas. 

Exemplo: O grupo conseguiu detectar os orcs em uma caverna, mas Theo, jogando com o mago elfo Turin, decide colocar mais um aspecto na cena, e faz uma rolagem de teste de inteligência com sucesso, e coloca o aspecto chão escorregadio. Assim que o ataque se desenrola, Turin invoca o aspecto e os orcs surpreendidos fazem na sua primeira rodada os testes físicos com desvantagem devido ao chão onde estão. Assume-se na segunda rodada que eles já encontraram locais por onde caminha, ou aprenderam a se equilibrar. A não ser que alguém invoque novamente o aspecto.  

  • Quantas invocações gratuitas de aspectos o mestre tem?  A quantidade de jogadores na mesa por sessão. 

Exemplo: Marianna está narrando uma aventura para Thales, Theo, Helena e Bruna, cada um dos personagens tem uma invocação gratuita de aspectos de cena, mas Marianna, a mestra tem quatro invocações.  

  • Invocação gratuita + vantagem = sucesso automático?

Exemplo: Se o jogador já possui uma vantagem na ação a qual vai se desenrolar, e há um aspecto em sinergia com a ação e ele decide invocar um aspecto, o narrador pode optar por dar um sucesso automático para ele. Mas sugiro usar essa opção com parcimônia, podendo a mesma ser negada em alguns momentos de acordo com as regras de convivência do grupo. 

Conclusão

A mecânica de aspectos é algo que tenho levado para os meus jogos independente do sistema ter a mesma ou não, tanto pela agilidade e a interação que a mecânica pode dar nas cenas da sessão, como também os aspectos facilitam bastante no processo de construção de aventuras. Na próxima postagem sobre as regras da casa da campanha, vamos conversar sobre a mecânica de dados de uso dos itens, para que não está muito afim de ficar contando flechas, tochas e demais itens de uso contínuo. 

Vamos falar sobre um novo projeto? Já está no ar no Twitch a Cozinha do Lima, um espaço onde eu e meu amigo Jokinha da Coluna Espaço Mítico vamos misturar alguns dados, sistemas e temperos e fazer algumas streamings de RPG. A idéia já está em prática, mas estamos em períodos de testes e aprendizados, mas vocês já podem encontrar algo por lá para dar uma olhada, como a nossa sessão teste de Avatar a Lenda de Aang para Fate Acelerado. 

Esse é um processo que estávamos  pensando a muito tempo, mas sempre tivemos o receio dessa exposição virtual e também não dominamos as técnicas, e com ajuda de amigos e jogos que estão rolando no servidor da Cozinha do Lima desde o início da quarentena, quebramos esse gelo, e decidimos dar esse passo a frente. E para isso contamos com a ajuda do curso de produção de videoaulas do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, que é totalmente gratuito, e ministrado pelo ótimo professor Ricardo Kleber, e as suas aulas estão disponíveis no Youtube. Então sigam a Cozinha do Lima no Twitch, e continue com suas visitas na velha Caixa do Lima no Mundos Colidem. 

Até Breve!

😉

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