Armadilhas complexas para D&D 5ed ou quando o encontro não é apenas com criaturas

Seja muito bem-vindo à nossa contínua subida na Torre do Destino. Eu sou João D e seguiremos nossa subida por uma sala que sempre me trouxe pensamentos próprios, caso nada nos machuque no caminho. Voltarei a falar sobre regras variantes oficiais do Dungeons and Dragons 5ª edição e dessa vez vou adentrar num território que para uns é crucial num RPG de masmorras e dragões, enquanto para outros é algo que beira o supérfluo. Nesse nível vamos voltar a falar sobre o Xanathar Guide to Everything (XGtE), mais precisamente sobre armadilhas. Vamos entender um pouco o conceito desses desafios e tentar aprimorá-los?

Primeiramente precisamos entender dois conceitos importantes para a utilização dessa regra variante: armadilhas e encontros. Aqui vou utilizar interpretações próprias para cada uma dessas ideias.

Armadilhas

Armadilhas estão presentes em vários cenários, filmes, jogos, livros e narrativas que estão ligadas a aventuras. Sejam armadilhas onde mecanismos disparam flechas envenenadas dentro da tumba do antigo faraó ou um alarme que soa ao passar por um feixe de luz — essas artimanhas estão sempre presentes. É fácil relembrarmos de armadilhas em diversas cenas icônicas de histórias que falam sobre invasão. Afinal, armadilhas estão preparadas para enfrentar quem chega.

Vou tentar me aproximar de uma definição para elas. Armadilhas são ferramentas, mecanismos, magias ou simplesmente um desafio que sejam inesperados pelos personagens e que possam ser evitados. O primeiro desses fatores, a surpresa, remete ao ar de imediatismo de uma armadilha, que se não for contornado com presteza pode levar a graves consequências. O segundo fator está mais imerso na preparação dos personagens antes da entrada no local desconhecido, ou na velocidade de resolução do problema. Assim, armadilhas têm, em geral, esse imediatismo na solução, uma pressa inesperada, um susto.

Não seja pego de surpresa: prepare-se

Um bom planejamento anterior a uma invasão pode tornar todas as armadilhas do local tão fáceis de resolver como conjurar um cantrip (truque) para um mago, mas sem preparação alguma, talvez seu grupo não tenha o truque certo na mão e possa ficar em apuros.

Assim como o custo pela falta de preparação pode vir em forma de armadilhas durante o jogo, há uma recompensa realizadora em conseguir detectá-las, e até mesmo desarmá-las, antes que elas tragam mais problemas. Conseguir utilizá-las em ambas as situações é algo que traz uma dinâmica de alerta única para o jogo.

Encontros

Encontros, por sua vez, são mais sutis de tentar definir. Podemos dizer que todo desafio a ser superado durante um momento específico no jogo se caracteriza como um encontro. Falta precisão nessa definição, mas ela traz algo que vejo como essencial dos encontros; eles devem ser momentos de desafios, algo deve ser superado ou gasto para que a situação seja vencida. Assim, encontros carregam um ar de disputa, de embate, um confronto importante, uma prova.

Sendo assim, um combate com um grupo de criaturas é sim, um encontro, mas também uma negociação pela libertação de um prisioneiro com o xerife local, ou a quebra de um poderoso ritual que está sendo realizado no território da cidade — todos são exemplos de encontros.

Utilizando armadilhas em jogo

Nesse ponto chegamos em algo que me incomodava na 5ª edição.

Armadilhas, quando são tratadas no Dungeon Master’s Guide, são representadas como mecânicas ou mágicas e isso apenas influencia na sua origem e no modo de desarmá-la. Quando nos deparamos com a seção traps revisited (repensando armadilhas) no XGtE, é que vejo o potencial das armadilhas que pode ser explorado.

Armadilhas simples

Nessa seção as armadilhas são redivididas em armadilhas simples e armadilhas complexas. De modo usual, as armadilhas geralmente exploradas no D&D são armadilhas simples. Elas possuem um gatilho, um teste para desarmar, um teste para resistir e a penalidade, dano ou condição caso falhe no teste. E isso resume as armadilhas simples a apenas um teste para desarmar.

Entendo que elas encontram utilidade quando necessitamos causar algum impacto imediato. Quando queremos também afetar o jogo de modo inesperado as armadilhas simples tem um bom uso. O fator surpresa é onde mora o poder principal desse tipo de armadilha.

Armadilhas complexas

Quando olhamos para as armadilhas complexas, no entanto, encontramos um mundo novo de opções. As armadilhas complexas são construídas de modo similar a encontros com monstros, elas possuem ações diversas além de apenas um teste. Ou seja, as complexas possuem challenge rating (nível de desafio, ND ou CR), que equipara seu encontro com o de criaturas de mesmo CR, além de fornecer experience points (pontos de experiência ou XP) para o avanço dos personagens.

Ao encontrar com uma armadilha complexa, a situação é bem diferente. Há rolagem de iniciativa, a armadilha tem ações durante o turno, o desarme pode necessitar de vários testes e a apreensão é notável. Junto a isso é possível mesclar a utilização dessas armadilhas com outros monstros construindo um encontro ainda mais dinâmico. No XGtE há vários parâmetros para como construir esse tipo de armadilha, além de alguns exemplos curiosos, e até mesmo clássicos, desse tipo de armadilha.

Quando me deparei com esse conceito de armadilha, fiquei encantado e imediatamente quis testá-lo em jogo. Minha primeira ideia envolvia dano contínuo, uma desativação que deveria ocorrer em vários lugares diferentes e criaturas.

Um exemplo simples de utilização

Kobolds adoram criar armadilhas

Imagina entrar numa sala com veneno se espalhando pelo ar, enquanto quatro runas mágicas se movem pela sala. Desativar a armadilha necessita que as quatro runas sejam ativadas ao mesmo tempo. Junte isso a pequenas criaturas que sejam imunes a dano de veneno (como mephits, por exemplo) e você saberá como foi esse encontro na mesa em que narro. Mova as runas com velocidade constante e de modo cíclico, faça-as transitar de terreno, como ficarem mais altas ou descerem num poço. As variações são de acordo com sua imaginação, divirtam-se.

E você, já sentiu necessidade de utilizar armadilhas mais complexas? Já tinha lido sobre como utilizar armadilhas similares a combates na 5ª edição? Tem alguma história memorável de uma armadilha sendo acionada, ou desarmada? Comente sobre como são tratadas as armadilhas de um modo geral na sua mesa. Aproveitem o espaço para uma discussão saudável e sem hates.

No geral, se você já chegou até aqui, aproveite os bônus de experiência por terminar mais um nível da Torre do Destino depois de mais uma conturbada pausa imprevista. Se você chegou até aqui sem ser envenenado por um dardo invisível ou cair numa magia de sono, parece que você se saiu bem nesse andar.

No próximo nível, vou começar a falar um pouco mais sobre encontros com monstros e suas dificuldades.

Até o próximo andar.

1 Comentários

  1. Luciano Macielsays:

    A primeira aventura que sempre proponho pra minha campanha é uma simples coleta de materiais numa floresta densa. Além de precisar conciliar as perícias (investigação, natureza, percepção, sobrevivência), coloco só armadilhas naturais no local, e o desafio fica muito interessante.

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