Sobre 2020 e rumos para 2021

Olá, 2d8 leitores! Eu sou o Leishmaniose e esta é a coluna Lugar Nenhum do site Mundos Colidem, onde posto os materiais que crio para meus jogos. De adaptações a produções autorais, passando por hacks e análises. E o capítulo de hoje é especial: o último deste conturbado volume de 2020 – o site entrará em seu costumeiro hiato de final de ano no dia 13 de dezembro. E, neste último capítulo, trarei algumas ponderações e reflexões.

Hora de Voltar

O plano original era trazer a última parte da revisão do Taco RPG, com um bestiário apresentando as regras para antagonistas e coadjuvantes – como fiz com a revisão do Fate Quest. Porém, eu estou insatisfeito com a revisão do Taco RPG.

Ela está do jeito que eu queria. O uso de Dado de Vida e Dado de Espírito deu outro tom a ela, mas sem perder aquele elemento gamista tradicional de um f20. Porém, ainda falta algo e eu não sei definir bem o quê.

Talvez seja a ausência de classes ou a lista de magias muito sucinta, não sei dizer com precisão, mas ela me passa a sensação de que está incompleta. Como sistema, a revisão está funcional e atende ao que se propõe e isso indica que está pronta. Mas, pra mim, ainda falta algo.

Por isso aproveitarei o hiato pra descobrir o que falta e apresentar a vocês uma versão final realmente completa do Taco RPG para poder ser enviado para diagramação e produção do pdf pelo senpai Petras.

Tron – Uma Odisséia Eletrônica

Não tem como negar o impacto de 2020 na minha vida. Devido à pandemia eu estou em isolamento social desde março, só tendo ido à calçada três vezes desde que voltei do trabalho naquela quinta-feira.

Foi um ano que exigiu muito da minha capacidade de adaptação, seja pra lidar com a situação da pandemia e morte de pessoas próximas, seja pra eu encontrar novas formas de desopilar dos estresses cotidianos.

Uma das adaptações que realizei foi a mudança da mesa presencial para a mesa virtual. Quem me conhece de longa data sabe o quanto eu era evasivo em relação a jogos por plataformas virtuais. Até participava de jogos por e-mail ou fórum, mas não em mesas virtuais.

No fim, gostei tanto da experiência que a manterei após voltar ao presencial. E muito disso se deve ao pessoal dos grupos de jogos que participei: Guilda dos Aventureiros Esquecidos, Mundos Colidem, Sandu RPG e Carreta Furacão RPG. Muito obrigado pela acolhida e apoio!

E peço desculpas ao pessoal do Inominattus, velhos parceiros de guerra, que iniciaram uma mesa incrível de Tormenta em 3D&T Alpha. Vocês sabem que amo jogar com vocês desde nossos pbems em 2002, mas stream não rola pra mim. Foi mal.

Provavelmente falarei sobre essas experiências virtuais em um capítulo no volume 2021, principalmente da Guilda dos Aventureiros Esquecidos. Ela tem como base a Liga dos Aventureiros, mas com regras adaptadas para melhorar a experiência de jogo.

Questão de Tempo

Outro ponto sobre a experiência virtual é sobre o suporte dado por plataformas virtuais, como o Roll20 e o Fantasy Grounds. Sim, é possível jogar apenas usando Discord/Meet e um rolador de dados. Porém, se há a disposição destes recursos, por que não usá-los?

As plataformas virtuais dão um excelente apoio ao grupo. Não é somente o mestre que se beneficia de poder manusear mapas e ter anotações a um clique em pop-ups em sua janela. Os jogadores também se beneficiam bastante, principalmente com fichas automatizadas.

E é com uma ficha automatizada que a gente vê a magia funcionando. Ela não só permite o seu preenchimento, mas ela realiza rolagens e já apresenta todos os cálculos feitos. Você seleciona opções e os campos se preenchem automaticamente. Entre “otras cositas mas”.

Eu, particularmente, só mestro agora algo que tiver uma ficha decente na plataforma que eu utilizo – jogar, entretanto, eu jogo até por videochamada de whatsapp. Porém, como mestre, eu quero recursos que melhorem a experiência para o grupo – e facilite a minha vida.

A Teoria de Tudo

E aqui entra um dos maiores impactos que essa adaptação trará em minhas futuras produções ao longo do volume 2021: meus hacks visarão a funcionalidade das plataformas virtuais. Pra que eles não funcionem somente em mesa presencial, mas na virtual também.

Dando nome aos bois, o Roll20 tem fichas incríveis (recomendo olhar a do Crianças Enxeridas e do Heróis de Electrum), que não são apenas preenchidas esteticamente, elas têm funcionalidades e recursos que facilitam e agilizam demais a vida dos mestres e jogadores em uma partida online.

Algumas fichas, inclusive, são completamente personalizáveis como a do Fate (by Roll20) e a do Savage Worlds (by Pinnacle e a anterior do mesmo designer, a Tabbed Layout) que você pode deixar o jogo com sua cara, adicionando, removendo e mudando perícias e regras.

Algo realmente lindo, principalmente pra quem monta hacks em cima de um sistema. Elas dão suporte, desde que o hack não seja muito ousado e mantenha a essência do sistema – como, no caso do Savage, não usar Pontos de Vida.

Só que a do D&D não é assim, ela até tem um nível de personalização (como usar 2d10 ou 3d6. Oi?), mas não é tão personalizável assim. Por exemplo, perícias não podem ser diferentes das oficiais ou de atributo diferente da base (rolar percepção com inteligência, por exemplo)…

E isso quebra a perna de muitos hacks meus porque eu gosto da ideia de maior funcionalidade pra Inteligência, dividindo os atributos em funções, por exemplo. A adaptação do Arcanas & Ancestrais eu tive de usar as perícias tradicionais do D&D e os atributos base com modificador.

Ao me deparar com essa situação, eu fiquei reflexivo. Pra vocês terem noção, eu cheguei a cogitar alterar toda a revisão do Taco RPG pra já deixá-lo formatado para funcionar no Roll20. Porém, no último momento mantive tudo que já tinha preparado.

Só que eu quero algo que eu possa jogar no Roll20 usando todos os recursos da ficha da 5ª edição. Por outro lado, eu quero ter uma opção ao D&D 5e, um OGL menos caster edition, mais granulado e sem tanto impacto em mudança de tier…

Por isso, eu tenho três opções: A primeira sou eu aprender a mexer com HTML, Java e CSS. A segunda sou eu contratar alguém para fazer a ficha pra mim. A terceira sou eu ajustar os hacks para que funcione na ficha do D&D 5e que está lá.

E, bom… Não tenho saúde mental para aprendizado de programação. Muito menos dinheiro para contratar alguém para fazer essas fichas. Então, provavelmente abraçarei a terceira opção e farei os hacks de forma a funcionarem com o que há na ficha.

Acredito que será um excelente desafio. Vejamos como me sairei ano que vem.

De Volta para o Futuro

Bom, minha pretensão no ano que vem é dar continuidade a revisões de alguns materiais que postei na coluna ao longo da existência dela, como fiz com o Fate Quest e tentei com o Taco RPG. Também pretendo dar andamento em alguns projetos engavetados. Oxalá!

Algo peculiar sobre 2020 é que, por ficar em casa, o tempo das atividades sociais foi usado para produção das postagens e preparo dos jogos. Resultado: postei sem falta em todos os dias designados da coluna e estou com uma campanha de RPG que já vai na 16ª sessão.

Para alguns amigos este é o motivo de 2020 ser o ano que foi: eu teria começado o colapso ao entrar na academia no final do ano passado. E mesmo afastado dela pelo isolamento, eu continuei desafiando a realidade ao postar regularmente e mestrar uma campanha longa.

Anedotas à parte, eu realmente sinto falta da academia… Mas bom, já me alonguei demais. A ideia era fazer uma postagem breve apresentando algumas reflexões e agradecendo a companhia ao longo deste ano. Muito obrigado mesmo. E nos vemos em 2021, 2d8 leitores! Tenham um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!

Padoru Padoru. ♫

Bonanças.

Atenciosamente,

Leishmaniose

0 Comentários

  1. Jokasays:

    ISSO que é uma promessa de ano novo!

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