Narrativa emergente

Olá Aventureiras e Aventureiros!

Eu sou o DM Quiral, e esta é a coluna da “Festa dos Mestres” do “Mundos Colidem”. Neste capítulo eu vim convidá-los para debatermos sobre Narrativa emergente.

NARRATIVAS…

Antes de entrar no mérito, temos que acertar o conceito de narrativas…

O que de fato é uma narrativa?

Diretamente do dicionário:

  1. ação, processo ou efeito de narrar; narração.
  2. exposição de um acontecimento ou de uma série de acontecimentos mais ou menos encadeados, reais ou imaginários, por meio de palavras ou de imagens.

Dentro desse conceito, podemos concordar que a narrativa é uma ação-chave de um jogo de RPG, todos os jogadores vão, durante o jogo, narrar os feitos de seus personagens.

NARRATIVA EMBUTIDA

O que aqui eu chamo de narrativa embutida, é algo que os jogadores (isto inclui o DM) traz para o jogo de RPG de forma premeditada.

É muito comum os jogadores criarem expectativas da história que eles podem vivenciar com seus personagens. Com isso o exercício de se pensar no passado de seu personagem até o começo do jogo, que usualmente é chamado de background, é bem presente nos RPGs atuais. Outro efeito bem corriqueiro, são os chamados metaplots, que são grandes efeitos em acontecimento no jogo, como uma grande praga que assola a região, ou um culto espalhado pelo mundo tentando trazer ao plano material a Tiamat.

Tudo isso faz parte de narrativas que são idealizadas e planejadas além da mesa. Por isso eu resolvi atribuir aqui à o termo de “narrativa embutida”.

Embora pareça muito comum (e de fato é), coisas como background e grandes plots de cenário não eram muito presentes lá nas origens do D&D. Esse tipo de textura começou a ganhar destaque a partir do que é conhecido como “Revolução Hickman”, criadores do cenário de Ravenloft e Dragonlance, lançados para AD&D em 1983 e 1984, respectivamente. Para compreender melhor sobre isso, um pouco do XP que coletei pode ser encontrado nessas referências (que estarão no final do texto também).

Eu acredito que a partir do grande sucesso desses cenários, junto com diversos romances derivados, histórias épicas, grandes plots de jogo e personagens sendo grandes heróis passaram a ganhar muito espaço no RPG, e isso influenciou diretamente o lançamentos do AD&D2, mais tarde o D&D3e, D&D4e e o atual D&D5e (cada um com suas peculiaridades), bem como também se tornaram uma influência muito forte em diversos outros sistemas de RPG a partir daí. Muitos trazem grandes possibilidades de aventuras épicas, personagens mais poderosos desde os primeiros níveis, com maior capacidade de feitos super-heróicos e mecânicas de jogo que dificultam o potencial de morte.

NARRATIVA EMERGENTE

Agora acredito que conseguimos sintonizar melhor o meu ponto de vista aqui, assim fica mais fácil apresentar o conceito de narrativa emergente: A narrativa emergente é algo que nasce da mesa, sem ideias prévias, sem envolvimento com o externo, ela nasce daquela falha inesperada, nasce daquele acerto crítico, nasce daquela ideia genial para resolução de um conflito, nasce da morte de um personagem…

Narrativa emergente é o resultado de uma história que nasce do jogo e de suas consequências.

Isso, per se, é pra mim a essência do RPG, e é isso que o torna essa fermenta tão sensacional de construção de história. Eu acredito que tudo o que não é emergente pode ser encontrado em outras formas de experiências, como alguém criar uma história, um conto, um zine… isso pode virar um livro, um filme ou uma série, até em um jogo de computador…

Nós podemos nos unir com amigos, e contar uma história compartilhada, ajustar e polir arestas de algo que vai ser de todos…

E tudo isso vai ser narrativa embutida, se um dia trouxermos essas histórias para uma mesa de RPG. O que nasce na mesa do jogo, do improviso, das interações entre personagens, das resoluções de conflitos, dos sucessos e falhas é algo intrínseco ao RPG, e isso é sensacional, pois é uma forma ímpar de se construir uma história. Isso é pra mim o grande “Santo Graal” do RPG.

Eu falo um pouco disto também em um vídeo, adoraria receber seu feedback:

Por fim, a minha intenção aqui é SEMPRE trocar XP, sintam-se à vontade para deixarem seus comentários, sua crítica, seu XP. Aqui ou nos comentários dos vídeos.

Até a próxima, e lembre-se: TUDO É XP.

 

XP indicado:

Texto da Grognardia: http://grognardia.blogspot.com/2008/12/scrappy-doo-and-hickman-revolution.html

Texto do Thiago Rosa: https://medium.com/rpgnoticias/d-d-se-divide-entre-antes-e-depois-de-dragonlance-a8796001edba

Café com Dungeon 266: https://www.listennotes.com/podcasts/caf%C3%A9-com-dungeon/226-a-revolu%C3%A7%C3%A3o-hickman-fxPpr4G0qau/

 

 

 

 

 

Nova Ifé: um minijogo Pós-apocalíptico Afrofuturista para o Dia Nacional da Consciência Negra

Olá, eu sou o Lima, Raphael Lima.

Saudações, 3d4-2 cultistas desta coluna inquieta, conhecida na comunidade como a Caixa do Lima. Estamos em novembro, mês em que comemoramos a consciência negra, e eu, como professor e negro, nascido em periferia, acredito que a história é a cultura afro brasileira e que a história da África e suas contribuições devem ser abordadas durante todo o ano nas escolas de todo o Brasil.

E mais uma vez, pretendo abordar pelo segundo ano, com os discentes da instituição onde leciono, a literatura afrofuturista. Para isso, transformei o Nova Ifé, um cenário afrofuturista pós apocalíptico em um minijogo, que pretendo apresentar a vocês na nossa conversa de hoje.

Vamos lá?

Isekai RPG: Log Horizon e Nível de Personagem

Olá pessoas! Aqui é o Tio Lipe e bem-vindos novamente ao Santuário do Mestre. Devo dizer que não esperava uma repercussão tão positiva do Isekai RPG. Ainda estou no aguardo de notícias de quem o testou, mas já recebi algumas sugestões e dúvidas sobre ele. Motivado por isto, achei que seria interessante fazer uma adaptação um pouco mais elaborada que apenas fichas de personagens, o que acabou demandando uma pequena expansão nas regras. Hoje, então, trago uma adaptação das classes de Log Horizon para o Isekai RPG, bem como regras para nível de personagem e progressão.

Incrementando a interpretação de inimigos ou monstros também têm sentimentos

Mais uma escadaria e mais um nível da Torre do Destino, eu sou João D e nesse andar vamos ouvir as vozes daqueles que nem sempre falam “comum”. Nesse nível vamos ouvir as histórias de um bardo que coleta informações sobre monstros e nos apresentou elas no Volo’s Guide to Monsters (VGtM) um dos suplementos do Dungeons and Dragons (D&D) quinta edição (5ed). Neste nível, vamos discutir como o narrador pode melhorar a ambientação e comportamento, para não falar interpretação, dos seus monstros. Como torna-los criaturas além das rolagens. Vamos conhecer outros grupos?

Aventurar-se !

Olá Aventureiras e Aventureiros!

Eu sou o DM Quiral, e esta é a coluna da Festa dos Mestres do Mundos Colidem. Hoje eu venho convidá-los para tomarmos essa excelente bebida anã, e conversarmos sobre algo que considero fundamental…